Nasa lança telescópio espacial Nancy Grace Roman para mapear o universo
Novo observatório espacial, lançado pela SpaceX, focará em grandes levantamentos do céu e trabalhará em conjunto com o James Webb.
Quick Look
- A Nasa lançou o telescópio espacial Nancy Grace Roman a bordo de um foguete Falcon Heavy.
- O observatório, projetado para capturar vastas áreas do céu com alta resolução, buscará planetas, galáxias e fenômenos cósmicos, complementando o trabalho do James Webb.
AI-generated summary
Why It Matters
O telescópio Nancy Grace Roman foi desenvolvido para realizar grandes levantamentos do céu, complementando observatórios como o Hubble e o James Webb.
A Nasa lançou neste domingo (30) o Nancy Grace Roman, um telescópio espacial criado para observar enormes regiões do céu de uma só vez e encontrar objetos e fenômenos que outros observatórios poderão investigar depois em detalhes.
O lançamento aconteceu às 8h26, no horário de Brasília, a bordo de um foguete Falcon Heavy, da SpaceX, a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
O principal diferencial do Roman está justamente no tamanho da área que conseguirá enxergar.
Sua câmera de 300 megapixels terá um campo de visão pelo menos 100 vezes maior que o de instrumentos semelhantes do Hubble.
A expectativa é que a missão identifique planetas, galáxias, supernovas e outros fenômenos que poderão ser estudados depois por observatórios como o James Webb.
O Roman está a caminho de uma região localizada a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra, conhecida como ponto de Lagrange 2, ou L2. O Webb também opera nessa área, que oferece condições estáveis para observações espaciais.
O Roman deverá levar algumas semanas para chegar ao destino. Em seguida, passará por testes e ajustes antes do início das observações científicas, previsto para o começo de 2027.
Apesar da proximidade e das frequentes comparações, o novo observatório não substituirá o Webb. Os dois foram construídos para tarefas diferentes.
O Webb consegue observar pequenas áreas e objetos muito distantes com grande riqueza de detalhes. Já o Roman terá uma visão panorâmica e poderá registrar extensas regiões do céu rapidamente.
Com isso, o Roman poderá localizar galáxias, planetas, explosões estelares e outros fenômenos raros. Alguns desses objetos poderão ser observados depois, com mais profundidade, pelo James Webb.
A própria Nasa destaca que os dois observatórios vão trabalhar juntos para estudar galáxias antigas, buracos negros e mundos fora do Sistema Solar.
O Nancy Grace Roman é o novo grande observatório de astrofísica da Nasa. O telescópio recebeu o nome da astrônoma Nancy Grace Roman, primeira chefe de astronomia da Nasa e uma das responsáveis por abrir caminho para a criação do Hubble.
Ele foi desenvolvido principalmente para fazer grandes levantamentos do céu e estudar milhões ou bilhões de objetos ao mesmo tempo. Seu espelho principal tem 2,4 metros de diâmetro, o mesmo tamanho do espelho do Hubble. A diferença está principalmente no campo de visão e na velocidade com que o Roman poderá fotografar o espaço.
Segundo a Nasa, o telescópio será capaz de observar grandes áreas do céu até mil vezes mais rápido que o Hubble, mantendo sensibilidade e nitidez semelhantes no infravermelho. O observatório tem cerca de 13 metros de altura e, quando abastecido, pesa aproximadamente 10,5 toneladas.
A sua missão principal terá duração prevista de cinco anos, mas o telescópio foi projetado com a meta de funcionar por até uma década.
O Roman não será sucessor nem substituto do James Webb. O Webb tem um espelho principal de 6,5 metros e instrumentos capazes de observar regiões muito distantes do Universo, inclusive galáxias formadas quando o cosmos ainda era jovem. Sua visão, porém, cobre áreas relativamente pequenas. Isso permite estudar cada alvo em detalhes, mas dificulta a realização de grandes levantamentos.
O Roman fará o caminho contrário. Ele observará áreas muito maiores, encontrará grandes populações de objetos e ajudará os astrônomos a escolher quais merecem uma análise mais profunda.
O Roman poderá, por exemplo, detectar uma galáxia rara em meio a milhões de outras. O Webb poderá então apontar seus instrumentos para ela e estudar sua composição, sua idade e as estrelas que existem ali. Os dois telescópios devem operar ao mesmo tempo e na mesma região do espaço, mas em órbitas diferentes e suficientemente afastadas para não haver risco de colisão.
O Roman vai acrescentar contexto às observações detalhadas feitas pelo James Webb. Uma fotografia do Webb pode mostrar uma pequena região com nitidez extraordinária. O Roman poderá observar uma área muito maior ao redor daquele ponto e revelar se o objeto analisado é comum ou raro.
Essa combinação é importante porque uma descoberta isolada nem sempre mostra o que acontece no restante do Universo. Ao comparar milhões de galáxias, estrelas ou planetas, os cientistas conseguem identificar padrões e entender como esses objetos mudam ao longo do tempo.
E o Roman também poderá encontrar fenômenos raros que dificilmente apareceriam por acaso no campo mais estreito do Webb, como explosões estelares, estrelas destruídas por buracos negros e colisões entre objetos muito densos.
O principal instrumento do telescópio será uma câmera de 300 megapixels chamada Wide Field Instrument. Ela terá um campo de visão pelo menos 100 vezes maior que o de instrumentos semelhantes do Hubble. Uma única imagem poderá cobrir uma área do céu maior que o tamanho aparente da Lua cheia.
Nos cinco primeiros anos, o Roman deverá observar mais de 50 vezes a quantidade de céu registrada pelo Hubble em suas três primeiras décadas. A missão poderá acompanhar bilhões de galáxias, estrelas, planetas e outros objetos.
A missão terá três áreas principais de pesquisa: a expansão do Universo, a matéria escura e os planetas localizados fora do Sistema Solar. Para investigar a energia escura, fenômeno associado à aceleração da expansão do Universo, o Roman observará centenas de milhões de galáxias em diferentes distâncias.
Como a luz desses objetos levou bilhões de anos para chegar à Terra, as imagens permitirão estudar diferentes momentos da história do Universo. O telescópio também ajudará a mapear a matéria escura, que não pode ser vista diretamente, mas exerce força gravitacional sobre estrelas e galáxias. Para isso, ele medirá pequenas deformações na luz de galáxias distantes. Essas distorções indicam onde existem grandes concentrações de massa.
O Roman vai monitorar estrelas na região central da Via Láctea e procurar pequenas alterações em seu brilho. A missão usará o método de trânsito, que identifica a passagem de um planeta diante de uma estrela, e a microlente gravitacional, efeito em que a gravidade amplia temporariamente a luz de um objeto distante. As estimativas indicam que o telescópio poderá encontrar dezenas de milhares de planetas pelo trânsito e mais de mil por microlente.
What to Watch
AI outlook — possibilities, not facts
Início das observações científicas previsto para o começo de 2027.
Likely · Within years
Open Questions
- Quais serão as primeiras imagens científicas capturadas em 2027?






