Nasa lança telescópio espacial Nancy Grace Roman para observações panorâmicas do céu
Quick Look
- A Nasa lançará neste domingo (30) o telescópio espacial Nancy Grace Roman a bordo de um foguete Falcon Heavy da SpaceX, a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
- O Roman possui um campo de visão 100 vezes maior que instrumentos semelhantes do Hubble e será posicionado no ponto de Lagrange 2, a 1,5 milhão de quilômetros da Terra, onde trabalhará em conjunto com o James Webb para estudar energia escura, matéria escura e exoplanetas.
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Why It Matters
O telescópio Nancy Grace Roman é o novo grande observatório de astrofísica da Nasa, nomeado em homenagem à astrônoma Nancy Grace Roman, primeira chefe de astronomia da agência e uma das responsáveis por abrir caminho para a criação do Hubble. Desenvolvido para fazer grandes levantamentos do céu, o Roman terá um campo de visão 100 vezes maior que instrumentos semelhantes do Hubble e operará no ponto de Lagrange 2, a 1,5 milhão de quilômetros da Terra.
A Nasa deve lançar neste domingo (30) o Nancy Grace Roman, um telescópio espacial criado para observar enormes regiões do céu de uma só vez e encontrar objetos e fenômenos que outros observatórios poderão investigar depois em detalhes.
O lançamento está previsto para 8h26, no horário de Brasília, a bordo de um foguete Falcon Heavy, da SpaceX, a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
O principal diferencial do Roman está justamente no tamanho da área que conseguirá enxergar.
Sua câmera de 300 megapixels terá um campo de visão pelo menos 100 vezes maior que o de instrumentos semelhantes do Hubble.
A expectativa é que a missão identifique planetas, galáxias, supernovas e outros fenômenos que poderão ser estudados depois por observatórios como o James Webb.
O Roman será enviado para uma região localizada a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra, conhecida como ponto de Lagrange 2, ou L2. O Webb também opera nessa área, que oferece condições estáveis para observações espaciais.
Apesar da proximidade e das frequentes comparações, o novo observatório não substituirá o Webb. Os dois foram construídos para tarefas diferentes.
O Webb consegue observar pequenas áreas e objetos muito distantes com grande riqueza de detalhes. Já o Roman terá uma visão panorâmica e poderá registrar extensas regiões do céu rapidamente.
Com isso, o Roman poderá localizar galáxias, planetas, explosões estelares e outros fenômenos raros. Alguns desses objetos poderão ser observados depois, com mais profundidade, pelo James Webb.
A própria Nasa destaca que os dois observatórios vão trabalhar juntos para estudar galáxias antigas, buracos negros e mundos fora do Sistema Solar.
Veja mais detalhes abaixo.
Ilustração em alta resolução do telescópio espacial Nancy Grace Roman. — Foto: NASA
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O que é o telescópio Roman?
O Nancy Grace Roman é o novo grande observatório de astrofísica da Nasa.
O telescópio recebeu o nome da astrônoma Nancy Grace Roman, primeira chefe de astronomia da Nasa e uma das responsáveis por abrir caminho para a criação do Hubble.
Ele foi desenvolvido principalmente para fazer grandes levantamentos do céu e estudar milhões ou bilhões de objetos ao mesmo tempo.
Seu espelho principal tem 2,4 metros de diâmetro, o mesmo tamanho do espelho do Hubble. A diferença está principalmente no campo de visão e na velocidade com que o Roman poderá fotografar o espaço.
Segundo a Nasa, o telescópio será capaz de observar grandes áreas do céu até mil vezes mais rápido que o Hubble, mantendo sensibilidade e nitidez semelhantes no infravermelho.
O observatório tem cerca de 13 metros de altura e, quando abastecido, pesa aproximadamente 10,5 toneladas.
A sua missão principal terá duração prevista de cinco anos, mas o telescópio foi projetado com a meta de funcionar por até uma década.
O telescópio recebeu o nome da astrônoma Nancy Grace Roman, primeira chefe de astronomia da Nasa e uma das responsáveis por abrir caminho para a criação do Hubble. — Foto: Nasa
Ele será o novo James Webb?
Não. O Roman não será sucessor nem substituto do James Webb.
O Webb tem um espelho principal de 6,5 metros e instrumentos capazes de observar regiões muito distantes do Universo, inclusive galáxias formadas quando o cosmos ainda era jovem.
Sua visão, porém, cobre áreas relativamente pequenas. Isso permite estudar cada alvo em detalhes, mas dificulta a realização de grandes levantamentos.
O Roman fará o caminho contrário. Ele observará áreas muito maiores, encontrará grandes populações de objetos e ajudará os astrônomos a escolher quais merecem uma análise mais profunda.
O Roman poderá, por exemplo, detectar uma galáxia rara em meio a milhões de outras. O Webb poderá então apontar seus instrumentos para ela e estudar sua composição, sua idade e as estrelas que existem ali.
Os dois telescópios devem operar ao mesmo tempo e na mesma região do espaço, mas em órbitas diferentes e suficientemente afastadas para não haver risco de colisão.
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Comparação mostra o Hubble (esquerda) e o James Webb. O espelho do Webb tem 6,5 metros de diâmetro; o do Hubble é muito menor, com 2,4 metros. — Foto: Canadian Space Agency
Como o Roman vai expandir o trabalho do Webb?
O Roman vai acrescentar contexto às observações detalhadas feitas pelo James Webb.
Uma fotografia do Webb pode mostrar uma pequena região com nitidez extraordinária. O Roman poderá observar uma área muito maior ao redor daquele ponto e revelar se o objeto analisado é comum ou raro.
Essa combinação é importante porque uma descoberta isolada nem sempre mostra o que acontece no restante do Universo.
Ao comparar milhões de galáxias, estrelas ou planetas, os cientistas conseguem identificar padrões e entender como esses objetos mudam ao longo do tempo.
E o Roman também poderá encontrar fenômenos raros que dificilmente apareceriam por acaso no campo mais estreito do Webb, como explosões estelares, estrelas destruídas por buracos negros e colisões entre objetos muito densos.
Depois da localização, o Webb poderá ser usado para examinar os casos mais interessantes.
Como será a visão do Roman?
O principal instrumento do telescópio será uma câmera de 300 megapixels chamada Wide Field Instrument.
Ela terá um campo de visão pelo menos 100 vezes maior que o de instrumentos semelhantes do Hubble.
Uma única imagem poderá cobrir uma área do céu maior que o tamanho aparente da Lua cheia.
Nos cinco primeiros anos, o Roman deverá observar mais de 50 vezes a quantidade de céu registrada pelo Hubble em suas três primeiras décadas. A missão poderá acompanhar bilhões de galáxias, estrelas, planetas e outros objetos.
Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, durante sua apresentação ao público no Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, em Greenbelt, Maryland, em 21 de abril de 2026 — Foto: SAUL LOEB / AFP
Quando será o lançamento e para onde ele vai?
O lançamento está previsto para este domingo, 30 de agosto de 2026, a bordo de um foguete Falcon Heavy, da SpaceX, a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
O Roman chegou ao local em junho e passa pelos preparativos finais. O abastecimento com cerca de 1,1 mil litros de hidrazina foi concluído em 25 de julho.
Depois da decolagem, o telescópio seguirá para o ponto de Lagrange 2, a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra. O James Webb também opera nessa região.
O Roman deverá levar algumas semanas para chegar ao destino. Em seguida, passará por testes e ajustes antes do início das observações científicas, previsto para o começo de 2027.
O que o Roman vai investigar?
A missão terá três áreas principais de pesquisa: a expansão do Universo, a matéria escura e os planetas localizados fora do Sistema Solar.
Para investigar a energia escura, fenômeno associado à aceleração da expansão do Universo, o Roman observará centenas de milhões de galáxias em diferentes distâncias.
Como a luz desses objetos levou bilhões de anos para chegar à Terra, as imagens permitirão estudar diferentes momentos da história do Universo.
O telescópio também ajudará a mapear a matéria escura, que não pode ser vista diretamente, mas exerce força gravitacional sobre estrelas e galáxias.
Para isso, ele medirá pequenas deformações na luz de galáxias distantes. Essas distorções indicam onde existem grandes concentrações de massa.
Técnicos conectam as partes interna e externa do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da Nasa, em novembro de 2025. — Foto: NASA/Sydney Rohde
Que planetas ele poderá encontrar?
O Roman vai monitorar estrelas na região central da Via Láctea e procurar pequenas alterações em seu brilho.
A missão usará o método de trânsito, que identifica a passagem de um planeta diante de uma estrela, e a microlente gravitacional, efeito em que a gravidade amplia temporariamente a luz de um objeto distante.
As estimativas indicam que o telescópio poderá encontrar dezenas de milhares de planetas pelo trânsito e mais de mil por microlente.
O Roman também poderá detectar planetas errantes, que viajam pela galáxia sem girar ao redor de uma estrela.
Além disso, levará um coronógrafo, instrumento que reduz o brilho das estrelas para tentar fotografar planetas gigantes e discos de poeira onde novos mundos estão se formando.
Por que a missão é importante?
Juntos, os dois observatórios poderão combinar uma visão ampla do céu com análises precisas de seus objetos mais interessantes.
What to Watch
AI outlook — possibilities, not facts
O telescópio Roman identificará dezenas de milhares de exoplanetas pelo método de trânsito e mais de mil por microlente gravitacional durante sua missão principal.
Likely · Within years
O Roman e o James Webb trabalharão em conjunto para estudar galáxias antigas, buracos negros e exoplanetas, com o Roman detectando objetos raros e o Webb realizando análises detalhadas.
Very likely · Within years
Open Questions
- Qual será o custo total da missão Nancy Grace Roman?
- Quantos cientistas e instituições participarão da análise dos dados coletados pelo Roman?
- Houve algum atraso ou problema técnico nos preparativos finais para o lançamento?





