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Parque Estadual Carlos Botelho abriga 414 espécies de aves, sendo 25 ameaçadas de extinção
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G12 hours agoEnvironment7 min readBrazilView translation

Parque Estadual Carlos Botelho abriga 414 espécies de aves, sendo 25 ameaçadas de extinção

Unidade de conservação em São Miguel Arcanjo (SP) é estratégica para a biodiversidade da Mata Atlântica e atrai observadores de aves com seu contínuo florestal preservado.

Quick Look

  • O Parque Estadual Carlos Botelho, em São Miguel Arcanjo (SP), registra 414 espécies de aves, incluindo 25 ameaçadas como a jacutinga.
  • A área é um refúgio estratégico de Mata Atlântica, atraindo ecoturismo e observadores de aves focados em conservação.

AI-generated summary

Why It Matters

O Parque Estadual Carlos Botelho protege um bloco contínuo de Mata Atlântica no contínuo florestal de Paranapiacaba. A unidade é um ponto de referência para a observação de aves e conservação regional.

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Antes mesmo de aparecer, o canto revela a presença. No silêncio da Mata Atlântica, asas se movimentam, espécies se escondem e outras atravessam a copa, formando uma sinfonia que revela a riqueza do Parque Estadual Carlos Botelho, em São Miguel Arcanjo (SP).

Em meio à floresta preservada, já foram registradas 414 espécies de aves, sendo 25 ameaçadas de extinção, de acordo com dados do eBird atualizados até agosto de 2026.

Entre as espécies ameaçadas, está a jacutinga, classificada como “Criticamente em Perigo”. O parque também reúne 121 espécies endêmicas da Mata Atlântica, que representam 29,2% da avifauna registrada na unidade de conservação.

Ao g1, Nathália Zandomenegui, gestora do Parque Estadual Carlos Botelho pela Fundação Florestal, explica que a área é estratégica para a sobrevivência das aves porque protege um grande bloco contínuo de floresta bem preservada.

"Além disso, está inserido no contínuo florestal do Paranapiacaba, contribuindo para a manutenção da conectividade entre diferentes áreas protegidas e para a conservação da biodiversidade em escala regional", detalha.

O número atual de espécies registradas no parque representa um aumento em relação ao levantamento feito para o Plano de Manejo, que contabilizava 342 espécies em 2008. De acordo com Nathália, o crescimento não significa necessariamente que novas espécies tenham passado a viver no parque, mas que o avanço pode estar relacionado ao aumento do conhecimento sobre a avifauna da unidade.

"A lista também está consolidada a partir de sete hotspots do parque, mostrando que o conhecimento sobre a avifauna continua sendo ampliado."

Entre as aves mais emblemáticas estão a jacutinga, o macuco, a araponga, o pavó, o sabiá-cica, o tucano-de-bico-verde e o gavião-pega-macaco, além de outras espécies de gaviões florestais. O parque possui ainda características ambientais que favorecem a diversidade. A área reúne florestas contínuas e preservadas, diferentes altitudes, rios e riachos, árvores de grande porte e grande variedade de plantas, frutos, sementes e insetos.

“Essa variedade de condições cria diferentes nichos ecológicos e permite a ocorrência de uma grande diversidade de espécies de aves”, explica Nathália.

O relevo também influencia a composição da avifauna. As regiões de maior altitude apresentam características diferentes das áreas mais baixas, com mudanças na vegetação e, consequentemente, nas espécies encontradas.

"O Carlos Botelho abriga uma expressiva quantidade de espécies endêmicas da Mata Atlântica. São 121 espécies endêmicas do bioma, correspondendo a 29,2% da avifauna registrada. Essa característica reforça a importância do parque para a conservação de aves associadas às florestas da Mata Atlântica", destaca Nathalia.

Para quem participa de atividades de observação de aves no Carlos Botelho, o encontro com os animais nem sempre acontece diante dos olhos. Isso porque, na prática, ouvir uma ave também conta como registro. É o que explica o guia ambiental Aelson Apolinário, que acompanha visitantes em atividades de observação de fauna no parque.

"A observação de aves vai além do ver a ave, o ouvir a ave já conta. Todo observador de aves costuma ir com uma lista de espécies que ele quer observar naquele dia e ir registrando em aplicativos que têm essa finalidade. Então, só a vocalização já contabiliza. Tem uma espécie que chama corocochó, que é fácil de ouvir, muito característico, mas a gente não consegue avistar ele, mas sabe que ele tá lá por causa do canto", explica.

Segundo Aelson, em uma trilha de quatro a cinco horas voltada ao público geral, é possível identificar entre 40 e 60 espécies de aves. Os registros podem ser feitos por meio de aplicativos especializados, como o Merlin. Até mesmo registros exclusivamente sonoros podem ser considerados.

O perfil dos visitantes também muda conforme o objetivo da atividade. Aelson explica que o parque recebe tanto turistas que querem apenas ter contato com a natureza quanto pessoas que chegam especificamente para observar aves. O observador costuma vir equipado com câmera fotográfica e outros equipamentos e, muitas vezes, já chega ao parque com uma lista das espécies que pretende encontrar.

“Ele vem com essa demanda já mais organizada”, conta. Para esse público, a atividade pode durar várias horas e até avançar para o período noturno, quando são realizadas observações de corujas.

Já para o visitante que não tem experiência com observação de aves, a atividade funciona mais como uma experiência de ecoturismo. Além de apresentar os animais, o monitor explica características das espécies e a importância delas para o ambiente.

“Além de ele ter o contato com a ave, o guia está sempre traduzindo uma série de informações ali: sobre a vida daquela ave, qual a importância dela no ecossistema, por que ela tem pouco, por que ela tem bastante”, aponta o monitor.

Segundo Aelson, esse tipo de turismo tem crescido nos últimos anos, impulsionado também pela procura por atividades em contato com a natureza, viagens de curta distância e experiências que aproximem o visitante do local conhecido.

Entre as 25 espécies ameaçadas registradas no parque, 12 são classificadas como Vulneráveis. Outras cinco estão na categoria Em Perigo: jaó-do-sul, pica-pau-de-cara-canela, barbudinho, pixoxó e cigarrinha-do-sul. Já a jacutinga está na categoria mais grave, Criticamente em Perigo.

A jacutinga também exerce uma função importante na floresta. A ave atua na dispersão de sementes e contribui para a regeneração da Mata Atlântica, inclusive de espécies como a palmeira-juçara.

“Ao se alimentar dos frutos e transportar as sementes, ela contribui para a regeneração e a dinâmica da floresta. A espécie é considerada Criticamente em Perigo e sofreu importantes reduções populacionais históricas, principalmente em razão da caça e da perda e degradação de habitat", aponta a gestora.

Para a Fundação Florestal, a diversidade de aves também ajuda a mostrar a qualidade ambiental do parque. A unidade consegue abrigar desde espécies mais generalistas até aves especializadas, que dependem de florestas maduras.

“São aves que dependem, em diferentes graus, de áreas extensas de floresta, estrutura vegetal complexa e disponibilidade adequada de recursos”, afirma Nathália.

Apesar do bom estado de conservação, as aves do parque ainda estão sujeitas a ameaças, como a caça, a retirada ilegal do palmito-juçara, a degradação das bordas da floresta e a perda de conectividade no entorno da unidade.

As mudanças climáticas também podem alterar a distribuição e o comportamento das espécies. Variações na temperatura e no regime de chuvas podem modificar períodos de reprodução e a oferta de frutos e insetos, conforme explica Nathalia.

"Espécies mais especializadas e associadas a ambientes montanos podem ser particularmente vulneráveis, porque possuem menor disponibilidade de áreas adequadas para acompanhar essas mudanças", aponta.

Para aumentar as chances de encontrar as aves, também é preciso considerar o comportamento dos animais. Segundo Aelson, os períodos de maior atividade costumam ser no início da manhã, até aproximadamente 9h, e no fim da tarde, entre 16h e 18h.

Para Nathália, a conservação das aves está diretamente ligada à preservação da própria floresta. "A manutenção de grandes áreas contínuas de Mata Atlântica permite que espécies com diferentes necessidades ambientais encontrem alimento, abrigo e condições para reprodução, mantendo também processos ecológicos essenciais para o funcionamento do ecossistema", finaliza a gestora.

Open Questions

  • Quais medidas específicas de combate à caça estão sendo implementadas?

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This article was originally published by G1.

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