
José Aparecido Ferreira foi sequestrado e assassinado após acusação não comprovada; um suspeito foi preso e a polícia busca o corpo.
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José Aparecido Ferreira foi sequestrado em fevereiro após acusações não comprovadas de assédio em Itanhaém (SP).
José Aparecido Ferreira, o homem morto em um “tribunal do crime” em Itanhaém, no litoral de São Paulo, era pedreiro e deixou cinco filhos. Conhecido como ‘Zezinho’, ele foi agredido e sequestrado por um grupo de criminosos após ser acusado de assediar crianças - a alegação dos suspeitos não foi comprovada, mas está incluída na investigação da Polícia Civil.
A vítima foi raptada em fevereiro e, na última sexta-feira (28), a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Itanhaém cumpriu um mandado de prisão temporária contra um dos suspeitos, Murilo da Silva de Oliveira. Ele é investigado por participar dos crimes de sequestro, homicídio e ocultação de cadáver de José. Além dele, quatro pessoas foram identificadas por participar da ação.
Ao g1, uma parente de Zezinho, que prefere não ser identificada, contou que ele completaria 64 anos em novembro. Segundo ela, durante toda a vida, o homem foi dedicado aos cinco filhos e, inclusive, ajudou a construir a casa deles, já que atuava como pedreiro.
A familiar afirmou que Zezinho deixou um legado de amor e força. “Ensinou a entender as pessoas, a ter mais atenção, respeito, carinho[...]. E principalmente a ser forte. Tem algum problema? Resolve o problema. Tudo para ele sempre foi resolver", lembrou.
Ainda segundo a parente, a prisão de um dos suspeitos reacendeu a esperança da família em encontrar o corpo de Zezinho.
“Eles [criminosos] têm que pagar pelo que fizeram, mas meu objetivo mesmo é saber onde deixaram [o corpo], porque isso foi o mais cruel”, afirmou a mulher.
De acordo com ela, os familiares só sentirão alívio quando conseguirem se despedir da vítima. “Ele sempre pagou as coisinhas dele para ter enterro digno", ressaltou a familiar.
Segundo apurado pela Polícia Civil, a motivação do "tribunal do crime" foi uma acusação de assédio sexual envolvendo crianças vizinhas de Zezinho. A família, porém, nega que ele tenha cometido o crime.
Segundo a parente, o desentendimento surgiu por conta de uma dívida de Zezinho pela compra de uma motocicleta usada.
"Ele comprou um veículo, ainda faltou um valor, ele foi falar pra menina que ia acertar esse valor no final de semana. A mãe da menina pensou que ele estava falando algo pra ela e foi pra cima dele", alegou a familiar.
De acordo com a parente, o homem era ameaçado desde o fim de janeiro e, no dia 18 de fevereiro, foi sequestrado em plena luz do dia. "Foi desesperador, um medo, um pavor, uma tristeza. É tanto sentimento que a gente tem, que foi tão cruel", lamentou.
A polícia afirmou que as imagens mostram Murilo perseguindo, agredindo e sequestrando a vítima, que estava em uma bicicleta na Rua Emídio de Souza, no bairro Jardim Oásis, no dia 18 de fevereiro.
Após ser colocado em um veículo, Zezinho foi levado em direção ao interior do bairro Oásis e depois para a região rural do bairro Mambu. O carro usado no crime foi encontrado pela polícia após ser incendiado pelos criminosos.
A investigação também descobriu que, antes do desaparecimento, houve um desentendimento envolvendo a mãe de uma das crianças e Zezinho. Na ocasião, a casa dele foi invadida, saqueada e destruída.
A DIG de Itanhaém prossegue com as investigações, com o objetivo de esclarecer integralmente a dinâmica dos fatos, individualizar a participação de cada envolvido, localizar os demais investigados, encontrar o corpo da vítima e reunir os elementos necessários à completa elucidação do crime.
Em nota, o advogado Leonardo Thadeu de Lima Batista Bacaro, que representa Murilo da Silva de Oliveira, negou a vinculação do cliente com as práticas de tribunal do crime ou com qualquer organização criminosa.
"A defesa nega de forma categórica qualquer envolvimento de Murilo com tais estruturas, ressaltando que os contornos fáticos estão sendo rigorosamente apurados no âmbito do inquérito policial", afirmou Bacaro.
Por fim, a defesa afirmou que atua ativamente junto ao Poder Judiciário, "com o objetivo de obter a revogação da prisão temporária, demonstrando que o investigado preenche os requisitos legais para responder aos trâmites da investigação em liberdade".
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Polícia continuará investigando para localizar os demais suspeitos e o corpo.
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