
Subtenente Juliana Vittoria Gonçalves da Silva anunciou a aposentadoria em Uberlândia, dedicando a conquista à mãe, à ancestralidade e às mulheres trans vítimas de violência.
A subtenente Juliana Vittoria Gonçalves da Silva, apontada como a primeira mulher trans da Polícia Militar de Minas Gerais, encerrou sua carreira de 31 anos em Uberlândia e foi transferida para a reserva, dedicando o marco à ancestralidade e à inclusão.
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A subtenente Juliana Vittoria completou 31 anos de serviço efetivo em Uberlândia, marcando a história como a primeira mulher trans da PMMG.
Depois de 31 anos de serviço efetivo em Uberlândia, o Triângulo Mineiro, a subtenente Juliana Vittoria Gonçalves da Silva, apontada por ela como a primeira mulher trans da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), encerrou a carreira e foi transferida para a reserva.
Ao anunciar a aposentadoria, Juliana decidiu marcar a despedida com uma mensagem de agradecimento, memória e reconhecimento às pessoas que fizeram parte da trajetória que a levou até aquele momento. Veja o vídeo acima.
“Pessoas transgênero precisam apenas de oportunidade”, afirmou Juliana ao comunicar a aposentadoria.
A conquista, porém, não foi dedicada apenas a si mesma. Ao relembrar os 31 anos de carreira, a subtenente dedicou a conquista à mãe e à própria ancestralidade.
“Dedico essa minha conquista a minha mãe, que neste ano completa 90 anos, mulher preta, foi funcionária doméstica”, disse.
Na fala, Juliana também resgatou a história de homens, mulheres e crianças africanos que foram sequestrados, transportados em navios negreiros e escravizados no Brasil.
“Dedico a toda minha ancestralidade, homens, mulheres, crianças que foram capturadas, sequestradas em continente africano. Foram transportados em navios negreiros de maneira desumana. Em terras brasileiras foram escravizadas, humilhadas, açoitadas. Foram quase quatro séculos de sofrimento, de tortura e depois livres sem nenhum tipo de reparação”, afirmou.
A despedida também foi uma homenagem às mulheres trans e travestis vítimas da violência e àquelas que, antes dela, enfrentaram o preconceito para reivindicar um direito que pode parecer básico, mas ainda custa caro: existir.
Ao longo de mais de três décadas, a farda acompanhou diferentes momentos da vida de Juliana. Agora, ao deixar o serviço ativo, ela agradeceu à família, aos colegas e à própria instituição pelos anos de carreira.
Ao encerrar a mensagem de despedida, ela resumiu o sentimento sobre a aposentadoria:
“Missão dada é missão cumprida.”
A aposentadoria da subtenente representa o fim de um ciclo profissional e se soma trajetória de mulheres trans que ocuparam espaços historicamente marcados por barreiras de gênero e identidade.
Para Juliana, a própria história mostra como o acesso a oportunidades pode ser decisivo para que pessoas trans construam suas trajetórias, dentro e fora das instituições.
O g1 questionou a PMMG sobre os dados de pessoas trans na corporação, porém não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.

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