Quase um milhão de brasileiros no exterior estão aptos a votar nas eleições de 2026
O número de eleitores brasileiros no exterior supera o total de eleitores de estados como Amapá e Acre, e o voto é obrigatório para quem tem entre 18 e 70 anos
Quick Look
- Quase um milhão de brasileiros residentes no exterior estão aptos a votar nas eleições de 2026, número maior que o total de eleitores de estados como Amapá e Acre.
- O voto é obrigatório para brasileiros entre 18 e 70 anos no exterior, e só é possível votar para presidente da República.
- O TRE-DF coordena o envio de 1.407 urnas eletrônicas para 134 países, com apoio do Itamaraty, após o prazo de julgamento de candidaturas em 14 de setembro.
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Why It Matters
O voto no exterior para brasileiros é regulado pela Justiça Eleitoral, com o TRE-DF responsável pela Zona Eleitoral do Exterior (ZZ). O processo envolve logística internacional, parceria com o Itamaraty e preparação de urnas eletrônicas exclusivamente para o cargo de presidente da República, devido à legislação eleitoral brasileira.
Quase um milhão de brasileiros e brasileiras que moram em outros países estão aptos a votar nas eleições deste ano. O número é maior que o total de eleitores que estados como Amapá e Acre.
➡️Mesmo no exterior, o voto é obrigatório para brasileiros com idade entre 18 e 70 anos. Quem não comparecer, deve justificar a ausência.
➡️Para quem está fora do país, só é possível votar para presidente da República.
O envio das urnas aos 134 países onde há seções eleitorais brasileiras é coordenado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), com apoio do Itamaraty.
💡O TRE-DF é responsável pela Zona Eleitoral do Exterior (ZZ). Ou seja, além de organizar o processo eleitoral na capital, o Tribunal também conduz o pleito fora do Brasil em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE).
Os preparativos começam meses antes da votação e envolvem negociações diplomáticas, além de um extenso mapeamento logístico (veja vídeo acima).
Prazo apertado
As urnas são preparadas assim que termina o prazo da Justiça Eleitoral para o julgamento das candidaturas nos tribunais regionais. Neste ano, a data foi 14 de setembro.
Ou seja: faltando menos de três semanas para o primeiro turno neste domingo (4), os equipamentos começaram a ser montados para o envio ao exterior.
O processo é o mesmo realizado com as urnas que ficam no Brasil -- a diferença é que elas recebem apenas as candidaturas à presidência da República (sem candidatos a governador, senador e deputado).
A mídia com as informações dos candidatos é gerada e carregada em cada equipamento. A urna passa por um "autoteste" e, em seguida, é lacrada para o envio.
O prazo é curto. O secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do TRE-DF, Andrey Bernardes, explica que o tribunal prioriza, na fila, as urnas dos países com grande contingente de eleitores.
"No dia 16 [de setembro], a gente começou a gerar a mídia do exterior. E aproveitamos para, no período da tarde, começar a carregar algumas urnas. A gente deu preferência para carregar as urnas de Estados Unidos, é Portugal e Japão, já que metade do nosso público está nesses países", conta Andrey.
Cada urna é cadastrada no sistema com uma numeração única, que a identificada e garante a rastreabilidade dos resultados.
Os equipamentos foram encaminhados ao Itamaraty no dia 18 e enviadas aos países a partir dos aeroportos de Viracopos, em Campinas (SP), e Guarulhos, na capital paulista.
Urnas eletrônicas destinadas ao exterior passam por processo de carga e lacração — Foto: TV Globo
Os números do voto no exterior
918.911 eleitores
1.361 seções eleitorais mapeadas — dessas, 28 seções votam em cédulas e 41 não serão instaladas em 2026
1.407 urnas eletrônicas
134 países
➡️ Para que uma seção seja instalada, é necessário ter, no mínimo, 30 eleitores aptos.
➡️Se o número de eleitores aptos não chegar a 100, aquela seção recebe urnas de lona e cédulas de papel, em lugar da urna eletrônica.
E os mesários?
Como no Brasil, os mesários são cadastrados de forma voluntária.
Para os servidores brasileiros que estão em teletrabalho no exterior e foram recrutados como mesários, vale a regra nacional: dois dias de folga para cada dia de trabalho na eleição.
Se o brasileiro está sujeito à legislação trabalhista do outro país, no entanto, a Justiça Eleitoral não tem como garantir o benefício.
Nesses casos, segundo o chefe da Zona Eleitoral do Exterior, Eduardo Pessoa, o TRE ainda busca uma alternativa para compensar a boa ação.
"O voluntário faz, realmente, em prol do processo eleitoral brasileiro. É esse sentimento de pertencimento e acolhimento que o processo eleitoral traz para quem está hoje fora do Brasil. Estamos estudando possibilidade de estender esses benefícios, juntamente com a equipe do MRE, para a próxima eleição em 2030", conta.
Voto em zonas de conflito
Mesmo em países que enfrentam guerras ou conflitos locais, a Justiça Eleitoral vem conseguindo garantir o direito a voto dos brasileiros – em regiões mais afastadas do front, claro.
Segundo o TRE-DF, há hoje cerca de 40 zonas eleitorais em cidades que enfrentam instabilidade, mas não apresentam um risco imediato, como:
Teerã, capital do Irã;
Tel Aviv, capital de Israel;
Beirute, capital do Líbano;
Kiev, capital da Ucrânia.
Cuba, que tem passado por instabilidades na rede elétrica e enfrenta apagões nacionais, também terá locais de votação para brasileiros que residem no país.
"Não são só as zonas de conflito, existem zonas [de votação] sensíveis de uma forma geral. Porém, nesses locais, o MRE assegurou que terá votação e não haverá risco para o eleitorado brasileiro, afirma Eduardo Pessoa.
29 horas de votação
Pelo horário de Brasília, a eleição começa ainda no sábado (3), pela Nova Zelândia, e só termina na noite de domingo (4), no Canadá.
Por causa dos fusos horários, a votação no exterior se estende por mais de 29 horas: vai das 16h de sábado às 21h de domingo, sempre pelo horário de Brasília.
No território nacional, a votação será realizada das 8h às 17h, de novo pelo horário de Brasília. Ou seja: estados com fuso diferente seguirão horários locais diferentes.
Os boletins de urna começam a ser computados no sistema assim que a votação encerra no horário local. E são impressos e afixados na porta da seção eleitoral, como acontece no Brasil.
Por isso, ainda na madrugada de sábado, os primeiros resultados serão transmitidos – e podem até ser divulgados pelos moradores da região. O TSE, no entanto, só começa a divulgar resultados oficiais quando a votação termina no Brasil, às 17h de domingo.
"Os eleitores votam no seu horário local, de 8h às 17h. Imprime-se a zerésima às 7h. Então, em Wellington, na Nova Zelândia, a zerésima é impressa às 15h de sábado pelo horário de Brasília. A eleição começa às 8h deles, são 16h de sábado aqui. Eles fazem a eleição e, por volta das 2h ou 2h30, já começam a transmitir resultados", explica Andrey Bernardes.
🔎 A zerésima é o relatório oficial emitido antes do início da votação em cada seção eleitoral. O documento que comprova que a urna eletrônica ainda não recebeu nenhum voto.
Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.
Open Questions
- Quantos brasileiros no exterior realmente comparecerão para votar?
- Como será garantida a segurança do voto em zonas com instabilidade política, como Teerã e Tel Aviv?
- Quais critérios são usados para definir se uma seção eleitoral no exterior recebe urna eletrônica ou de lona e cédulas de papel?







