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Suspeita e dúvidas diante do acordo petrolífero "histórico" entre Venezuela e EUA
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G11 hour agoBusiness4 min readBrazil

Suspeita e dúvidas diante do acordo petrolífero "histórico" entre Venezuela e EUA

A negociação desperta preocupações entre os simpatizantes do chavismo, ao ser concretizada em meio à forte pressão exercida pelos Estados Unidos e diante do sigilo estatal venezuelano, mas também há esperança de recuperação econômica do país.

Quick Look

  • Acordo petrolífero entre Venezuela e EUA permite operação americana em 17 campos estratégicos, visando revitalizar a indústria local com US$ 100 bilhões em investimentos.
  • O pacto gera desconfiança popular e política, mas traz esperança de recuperação econômica.

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Why It Matters

A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, mas sofreu uma contração econômica de 80% entre 2014 e 2021. A produção atual é de 1,2 milhão de barris por dia, abaixo dos 3 milhões históricos.

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O histórico acordo petrolífero entre Washington e Caracas permitirá aos Estados Unidos operar campos na Venezuela. O pacto divide opiniões entre desconfiança e esperança.

A presidente interina Delcy Rodríguez afirmou neste sábado (29) que as reservas do subsolo se transformarão em felicidade social e econômica para a população.

A produção de petróleo subiu 29,8% de janeiro a julho. Contudo, especialistas estimam que a recuperação total dos picos de produção ocorrerá apenas no longo prazo.

O "histórico" acordo petrolífero firmado entre Washington e Caracas, que permitirá aos Estados Unidos operar campos de petróleo, gera dúvidas e desconfiança entre a população diante do sigilo estatal, mas também esperança de uma tão aguardada recuperação econômica.

O presidente Donald Trump informou que os Estados Unidos terão o controle majoritário de 65 bilhões de barris das reservas de petróleo da Venezuela, o que descreveu como "o maior acordo petrolífero da história".

A Venezuela detalhou que o acordo envolve 17 "campos estratégicos" e um investimento privado de 100 bilhões de dólares (R$ 520 bilhões), destinados a revitalizar a deteriorada indústria do país com as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.

A presidente interina, Delcy Rodríguez, afirmou neste sábado (29) que o acordo permitirá que as "reservas imensas" que jazem no subsolo da Venezuela "deixem de ser uma cifra inerte, fria e se transformem em felicidade social e econômica" para a população.

A negociação desperta preocupações entre os simpatizantes do chavismo, ao ser concretizada em meio à forte pressão exercida pelos Estados Unidos sobre o governo interino de Rodríguez, que assumiu o poder em janeiro após a captura de Nicolás Maduro em uma operação americana.

"Não sabemos a quem isso vai favorecer, se à Venezuela ou a eles (Estados Unidos)", disse à AFP Jesús Salazar, um trabalhador de segurança privada de 68 anos. "Tenho minhas dúvidas, mas é preciso esperar para ver o que vai acontecer", confessa.

Apesar da desconfiança de alguns militantes, o governista Partido Socialista Unido da Venezuela reafirmou neste sábado (29) seu apoio à decisão.

"Acompanhamos os mecanismos de recuperação produtiva que priorizam os interesses nacionais e permitam superar o impacto de mais de uma década de sanções econômicas, medidas coercitivas unilaterais e bloqueios injustos", diz um comunicado publicado pelo PSUV.

Pressionada por Washington, Rodríguez promoveu nos últimos meses reformas nos setores de petróleo e mineração que abrem essas indústrias, antes controladas pelo Estado, ao capital privado, especialmente estrangeiro.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos aliviaram as sanções petrolíferas que haviam imposto durante o governo de Maduro.

A produção de petróleo reagiu com um aumento de 29,8% de janeiro a julho, quando a Venezuela atingiu 1,2 milhão de barris por dia, ainda muito distante dos 3 milhões que extraía no final do século passado.

O acordo busca recuperar esses picos de produção, mas analistas concordam que isso só acontecerá no longo prazo. "O aumento da produção não será visto pelo menos (em) três, quatro anos", estima o engenheiro Oswaldo Felizzola.

Esse especialista em petróleo vê com bons olhos que os Estados Unidos atuem como um "garantidor" dos investimentos na Venezuela, que não conseguiu atrair grandes capitais há mais de uma década.

"Se não fosse assim, esses campos não seriam explorados nos próximos 10 ou 15 anos porque a PDVSA (Petróleos de Venezuela) não tem os recursos financeiros para fazê-lo", observa o professor do Instituto de Estudios Superiores de Administración.

Uma operação dessa magnitude pode acelerar a tão desejada recuperação econômica na Venezuela, ainda afetada pela brutal contração de 80% que sofreu entre 2014 e 2021.

Essa é a esperança de muitos venezuelanos que mal conseguem sobreviver com um salário mínimo mensal equivalente a 0,16 dólar (R$ 0,82) e benefícios estatais que chegam a 240 dólares (R$ 1.248) mensais, muito abaixo dos 730 dólares (R$ 3.795) que custaria a cesta básica de alimentos, segundo estimativas privadas.

"Se querem o petróleo daqui, da Venezuela, têm que pagar por ele pelo preço que está sendo praticado, porque não é que a Venezuela vai dar o petróleo de graça", sustenta Carlos Baco.

Esse funcionário público de 74 anos espera que, com essas receitas do petróleo, a economia melhore. Seu bolso não sentiu os efeitos do aumento da produção nos últimos meses.

"Até o momento não se viu nada, o consumo e a comida mais cara (...) o dólar sobe e os produtos sobem, tudo sobe, o transporte, tudo. Isso aqui é impossível", relata.

Delcy Rodríguez, que classificou o acordo como "histórico", antecipou que estão previstos 204 bilhões de dólares (R$ 1,06 trilhão) em receitas tributárias, mas não detalhou os ganhos provenientes de outros conceitos, como os royalties.

Os poucos detalhes compartilhados pelas autoridades da Venezuela e dos Estados Unidos impedem medir corretamente seu impacto.

Uma enxurrada de comentários tomou conta das redes sociais, com opiniões divergentes e alegações que passam pela perda de soberania, ganhos reduzidos e custos políticos.

Para o analista Elías Ferrer, a mera existência dos investimentos é uma boa notícia, apesar das condições. "Sem dúvida, isso é melhor do que antes, porque antes aquele petróleo não estava sendo explorado; se ninguém o está explorando, ninguém está pagando royalties e ninguém se beneficia disso", comenta.

Os Estados Unidos impõem as condições da negociação, mas o benefício para a Venezuela dependerá da implementação do acordo. "Esse acordo poderia ser melhor? Muito provavelmente, sim", acrescenta Ferrer.

"Se tudo for feito corretamente (...) será uma grande oportunidade para a Venezuela ver seu setor petrolífero ressurgir", opina a advogada Dolores Dobarro, ex-vice-ministra venezuelana da Energia.

What to Watch

AI outlook — possibilities, not facts

  • Aumento da produção de petróleo em 3 a 4 anos.

    Possible · Within years

Open Questions

  • Como serão distribuídos os royalties?
  • Qual o impacto real no salário mínimo local?
  • Quais as garantias de soberania nacional?

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This article was originally published by G1.

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