
Disputa eleitoral em Santa Catarina reflete cenário nacional, com foco em Jorginho Mello, João Rodrigues e Gelson Merísio, além de temas como violência contra a mulher e infraestrutura.
A campanha ao governo de Santa Catarina foi marcada por forte polarização nacional, ataques pessoais entre os principais candidatos e debates sobre violência contra a mulher, infraestrutura e saúde.
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A campanha eleitoral para o governo de Santa Catarina foi marcada pela polarização política nacional e debates acalorados sobre segurança, saúde e infraestrutura.
A campanha ao governo de Santa Catarina foi marcada por confrontos - muitas vezes duros - e o reflexo inevitável da polarização nacional entre os principais candidatos. Embora a propaganda tenha começado amena, o tom subiu e temas como violência contra a mulher, atuação policial, infraestrutura e relação com o governo federal dominaram as entrevistas e as redes dos pretendentes ao cargo.
Candidato à reeleição, Jorginho Mello (PL) tornou-se o principal alvo dos adversários. A ofensiva ocorreu tanto pela condição de atual governador quanto pelo favoritismo na disputa eleitoral, já que ele liderou as duas pesquisas realizadas pela Quaest, contratadas pela NSC, inclusive com possibilidade de vitória no 1º turno.
Os principais "atiradores" foram João Rodrigues (PSD), ex-prefeito de Chapecó por quatro mandatos, e Gelson Merísio (PSB), empresário e ex-deputado estadual. Eles estão, respectivamente, em segundo e terceiro na pesquisa.
Os demais candidatos, que não ultrapassaram mais que 2% nas intenções de voto, Professor Marcus Sodré, Marcelo Brigadeiro (Missão), Laís Chaud (Unidade Popular), Ralf Zimmer (PRD) e Bruno Pedreiro (PCO), também usaram os espaços para criticar a atual gestão e propor mudanças.
A pesquisa Quaest de 24 setembro perguntou aos eleitores qual é o principal problema de Santa Catarina. Saúde (29%), infraestrutura (15%), violência (10%), enchentes (8%) e educação (6%) foram os temas mais citados.
O peso do cenário nacional na disputa em SC
Lançado como candidato oficial de Lula ao governo de SC neste ano, Merísio tenta vencer a barreira de passado direitista. Bolsonarista declarado na derrota de 2018, o político migrou para a esquerda em 2022, coordenou a campanha de Décio Lima (PT) ao governo daquele ano e consolidou a guinada à esquerda subindo o palanque nestas eleições.
Em contraste, Jorginho Mello consolidou a imagem colada à família Bolsonaro, tendo terreno favorável e unanimidade com o clã durante toda a campanha. Santa Catarina é um dos maiores redutos do grupo político do país, onde Jair Bolsonaro, mesmo derrotado nacionalmente em 2022, conquistou 69% dos votos no segundo turno.
Também direitista e admirador de Bolsonaro declarado, João Rodrigues foi ator de uma reviravolta envolvendo o cenário nacional. Durante toda a campanha, esteve alinhado ao palanque nacional de Ronaldo Caiado, que concorre à presidência e veio a SC para apoiar o correligionário. Na quinta (1º), porém, o catarinense anunciou que abandonou o colega do partido e declarou voto em Flávio.
Essa polarização nacional não ficou apenas nos programas eleitorais e redes sociais dos candidatos. Nos debates e entrevistas, o tema também surgiu, especialmente em relação ao diálogo e articulação com a União, considerada necessária para destravar investimentos federais no estado.
No debate realizado pela NSC TV na terça-feira (28), por exemplo, candidatos citaram a necessidade um maior diálogo com o governo federal independente do presidente eleito. No encontro, não só Merísio e Rodrigues, mais também Ralf Zimmer, que também participou do debate devido à representatividade do partido, defenderam maior relação com a União.
Violência contra a mulher e atuação da polícia
Apesar de a polarização estar presente já nos primeiros capítulos da disputa eleitoral, um dos pontos-chave de acirramento foi a divulgação de um vídeo que flagrou a advogada Fernanda Klitzke (PT), suplente ao Senado pela coligação de Merísio, sendo derrubada, chutada e atingida por bala de borracha pela Polícia Militar (PM). O caso aconteceu em 13 de setembro.
Após a repercussão, Merísio usou o horário eleitoral e as redes sociais para criticar a ação da PM e citar os dados de violência, feminicídio e ameaças contra as mulheres no estado. Por outro lado, Jorginho Mello afirmou que o episódio foi uma tentativa de armação da esquerda contra a corporação, mas que defendia a apuração da conduta dos agentes.
O caso também passou a pautar as entrevistas dos demais candidatos, que foram questionados sobre o episódio e outros assuntos, como a violência policial, falta de efetivo na corporação, uso de câmeras corporais pelos agentes, discurso de ódio e, principalmente, a violência contra a mulher no estado.
Infraestrutura, saúde e outros temas
Além do debate ideológico, a campanha foi marcada pela apresentação de propostas para gargalos estruturais de Santa Catarina. Na infraestrutura, por exemplo, Mello defendeu o programa "Estrada Boa", o projeto do "Via Mar" no Litoral catarinense, além da manutenção das barragens contra cheias em meio à previsão de influência do El Niño.
Propostas de duplicação de rodovias e melhorias no escoamento da produção do Oeste catarinense também foram levantadas pelos candidatos. No campo social, temas como a promessa de zerar a histórica fila de cirurgias eletivas na saúde, a expansão do saneamento básico e o crescimento da população em situação de rua foram mencionados nos planos e campanhas.
Na final, contudo, o debate rendeu ataques pessoais e temas espinhosos. No debate da NSC, Merísio revisitou o polêmico caso da morte do cão Orelha, enquanto Rodrigues questionou Mello pelas propagandas que relembravam a prisão dele em 2018 e questionou o atual governador sobre transações imobiliárias envolvendo o filho de Jorginho Mello.
Em contra-ataque, Mello relembrou quando Rodrigues foi flagrado vendo vídeo pornográfico quando era deputado federal em 2018, elevando a temperatura da disputa até as últimas horas antes da votação.
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