Eleições de meio de mandato puniram negacionistas das urnas nos EUA
Levantamento aponta que postulantes que questionaram o pleito de 2020 perderam representatividade e sofreram derrotas expressivas em cargos como secretário de estado, governador e procurador-geral.
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Candidatos americanos que questionaram o resultado das eleições de 2020 tiveram desempenho fraco nas eleições de meio de mandato, perdendo pelo menos 41 vagas no Congresso e em cargos estaduais, segundo levantamento da States United Action.
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Why It Matters
Candidatos endossaram a retórica de fraude no pleito de 2020. Levantamento da States United Action aponta perdas de representatividade.
Candidatos que colocaram em dúvida a lisura do processo eleitoral nos Estados Unidos, muitos dos quais endossando a retórica falsa repetida por Donald Trump de que houve fraude no pleito presidencial de 2020, tiveram desempenho pífio nas eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira (3) e vão perder representatividade em cargos públicos do país a partir do próximo ano.
Com a apuração ainda em andamento em alguns estados, políticos que já ecoaram discursos conspiratórios relacionados ao sistema eleitoral terão, pelo menos, 41 vagas a menos no Congresso e em cargos estaduais americanos em 2027 na comparação com a representatividade que têm em 2026.
O levantamento foi feito pela States United Action, organização formada por ex-funcionários estaduais e federais que se define como apartidária e diz se dedicar a eleições livres.
Candidatos desse grupo, chamados pela organização de "negacionistas eleitorais", sofreram derrotas expressivas em pleitos por cargos que têm, entre suas atribuições, organizar e fiscalizar as eleições. De 30 disputas definidas para governador, procurador-geral e secretário de estado até quinta-feira (5), 21 (70% do total) terminaram em derrotas de postulantes que já questionaram o resultado das urnas.
O desempenho é reflexo da onda azul, a vitória avassaladora dos democratas sobre os republicanos nas midterms, como o pleito é conhecido. Indica também rejeição do eleitor a esse discurso conspiratório.
"Os resultados representam um grande revés para o movimento negacionista das eleições, mas a ameaça à democracia não desapareceu da noite para o dia", disse a diretora de pesquisa da States United Action, Kelly Rader, segundo comunicado divulgado pela organização. "Negacionistas eleitorais em todo o país ainda ocupam várias posições de poder."
Os candidatos descritos como negacionistas tiveram resultados frustrantes, sobretudo, nas disputas para secretário de estado, cargo que, em muitas regiões, tem responsabilidade sobre a administração eleitoral. Dos seis representantes desse grupo que disputaram as eleições, cinco (83%) foram derrotados, segundo o levantamento da States United Action.
Nas disputas para governador, 16 candidatos considerados negacionistas estavam na corrida eleitoral. Ainda segundo a organização americana, 11 deles (69%) perderam. Entre os nove candidatos a procurador-geral estadual, cinco (56%) foram derrotados nas disputas com resultados definidos.
Os três cargos têm importância para o funcionamento das instituições americanas. Governadores podem influenciar políticas estaduais relacionadas ao processo eleitoral, procuradores-gerais atuam na defesa jurídica das votações, e secretários de estado com frequência supervisionam a organização dos pleitos.
Nas disputas para o Congresso, os candidatos classificados como negacionistas também tiveram desempenho ruim. Na Câmara, eles tinham vencido, até a última atualização, 89 das 435 disputas com resultados definidos, o equivalente a 20,4% do total. No Senado, os negacionistas haviam triunfado em 5 das 35 disputas concluídas, ou 14,2%.
Considerando as 470 vagas em disputa nas duas Casas do Congresso, os candidatos identificados pela organização haviam conquistado 94, o equivalente a 20% do total. Na atual legislatura, a organização contabiliza 162 representantes desse grupo.
Um dos representantes desse grupo que terminou derrotado nas urnas é o republicano Jim Marchant, conhecido por divulgar teorias conspiratórias sobre o sistema eleitoral americano e que disputou o cargo de secretário de estado de Nevada, responsável pela supervisão das eleições no estado.
Durante a campanha, defendeu uma reformulação do sistema de votação, com propostas que incluíam o fim do voto universal pelo correio. Na última terça, acabou derrotado pelo democrata Cisco Aguilar, que conquistou a reeleição.
Na disputa pelo governo, o republicano Andy Biggs, aliado de Trump que contestou a certificação da vitória de Joe Biden na eleição presidencial de 2020 e votou contra a validação dos resultados no estado, acabou derrotado pela democrata Katie Hobbs no Arizona, onde o atual presidente venceu na corrida à Casa Branca de 2024.
O negacionismo eleitoral é uma estratégia ineficaz para conquistar votos, afirma a States United Action. Segundo pesquisa da organização, candidatos que questionaram o resultado das eleições de 2020 tiveram desempenho inferior nas urnas: em 2022, receberam de 2,3 a 3,7 pontos percentuais a menos do que teriam obtido caso não tivessem feito campanha com esse discurso.
Após as midterms, Trump admitiu a derrota de seu partido e afirmou estar disposto a trabalhar com a oposição. O discurso destoa de sua postura após a derrota na eleição de 2020, quando disse, sem apresentar provas, que houve fraude para favorecer o democrata Joe Biden, seu rival na ocasião.
Ainda que em menor número, candidatos negacionistas também conquistaram vitórias. Nas disputas para governador, políticos enquadrados nesse grupo pela States United Action triunfaram em cinco estados: Alabama, Carolina do Sul, Flórida, Idaho e Tennessee.
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- Qual será o impacto final após a apuração completa nos estados restantes?







