Empresas de ônibus investigadas por ligação com PCC descumprem contrato de viagens em São Paulo
Quick Look
- Dados da SPTrans mostram que apenas 24% das 524 linhas operadas pelas empresas de ônibus investigadas por suspeita de ligação com o PCC cumprem o mínimo de viagens contratual.
- Passageiros relatam longas esperas e ônibus que não passam nos horários previstos.
- A A2 Transportes, apontada pela polícia como meio de lavagem de dinheiro, realizou apenas 1 de 3 partidas na linha 5018-10 nesta terça-feira (22).
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Why It Matters
Empresas de ônibus em São Paulo são investigadas pela Polícia Civil por suspeita de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC) em esquema de lavagem de dinheiro. A SPTrans monitora o cumprimento de metas contratuais de viagens.
Dados da SPTrans mostram que, entre 524 linhas operadas pelas empresas investigadas, apenas 24% atingiram o mínimo de viagens exigido pela Prefeitura; passageiros relatam longas esperas.
Por Philipe Guedes, TV Globo
Empresas de ônibus investigadas em São Paulo por suspeita de ligação com o PCC descumprem o contrato de viagens. O problema atinge 3 em cada 4 linhas.
Nesta terça-feira (22), a linha 5018-10, operada pela A2 Transportes, realizou apenas 1 de 3 partidas. A polícia aponta a empresa como meio de lavagem de dinheiro.
Apenas 24% das 524 linhas sob responsabilidade das empresas investigadas cumprem a meta contratual. Entre as viações não investigadas, o índice de cumprimento é de 36%.
Na TransUnião, 51 de 52 linhas falharam na meta. A intervenção da Prefeitura na Transwolff, também investigada, não melhorou o serviço no extremo sul.
Transporte por ônibus em São Paulo — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
As empresas de ônibus investigadas pela Polícia Civil por suspeita de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC) são alvo também de reclamações dos passageiros. Dados da SPTrans mostram que três de cada quatro linhas operadas por essas empresas não cumprem o número mínimo de viagens previsto em contrato com a Prefeitura de São Paulo.
Na prática, o trabalhador olha o quadro de horários, espera no ponto e o ônibus não passa quando deveria. “Ninguém merece esperar o ônibus debaixo de chuva. Pior ainda se ele não aparecer”, diz a técnica de enfermagem Elisa Joana.
Nesta terça-feira (22), das três partidas da linha 5018-10, programadas entre 17h e 17h30, apenas uma foi realizada. “Por conta de atraso, por conta de ônibus que quebra e pouco ônibus na linha. Agora saiu um. Sabe Deus a hora que vai chegar o outro”, relatou Elisa.
A linha 5018-10 liga o Shopping Interlagos ao Jabaquara e deixou de fazer quase metade das viagens neste ano, segundo o último levantamento, de maio.
A operação é da A2 Transportes, empresa responsável pelas dez linhas que menos cumpriram viagens na capital, segundo a Prefeitura.
“Às vezes você fica 40 minutos esperando. Aí vem um atrás do outro. Não tem controle”, afirma o aposentado Carlos Alberto.
Para a Polícia Civil, a A2 Transportes é usada pelo PCC para lavagem de dinheiro. Na semana passada, o presidente da empresa, Paulo Sirqueira, conhecido como Paulo Camarão, e Júlio Salvador Filho, apontado como um dos diretores, foram presos temporariamente.
Além da A2 Transportes, outras 10 empresas de ônibus que operam na capital são investigadas pelo mesmo motivo. E os dados da SPTrans mostram que a maioria dessas empresas tem outro ponto em comum: presta um serviço de má qualidade aos passageiros.
Das 524 linhas sob responsabilidade das empresas investigadas, apenas 24% cumprem o mínimo de viagens exigido em contrato. Entre as empresas que não são investigadas, o índice de cumprimento chega a 36%.
Garagem da viação A2 Transportes, na Zona Sul de São Paulo — Foto: Reprodução/TV Globo
Por contrato, as empresas de ônibus precisam fazer pelo menos 97% das viagens programadas. Mas os passageiros da TransUnião, que opera na Zona Leste, não sabem o que é isso. Das 52 linhas da empresa, 51 não cumpriram a meta. A pior é a linha 2704-10, que liga o Jardim Robru ao Metrô Itaquera.
Em 2024, a Prefeitura fez uma intervenção e assumiu a gestão da Transwolff, que já era investigada desde aquela época por envolvimento com o PCC. Mas nem essa mudança fez o serviço melhorar no extremo sul da cidade.
Em média, só três de cada dez linhas da empresa atenderam os passageiros como determina o contrato neste ano. O serviço ineficiente se reflete no número de multas aplicadas pela SPTrans.
“Eu acho que, se eles pegassem mais no pé, a SPTrans, não sei como funciona, daria para agilizar isso aí”, afirma a recepcionista Rosilene Oliveira.
“No horário de pico demora bastante e não cumpre mesmo o horário. Às vezes ficam duas, três filas de pessoas aqui esperando o ônibus”, acrescenta.
A TV Globo procurou a A2 Transportes, que respondeu com uma lista de melhorias que pretende implantar. Entre elas estão a troca do comando da empresa e um aumento de mil viagens por dia para reforçar o atendimento aos passageiros.
What to Watch
AI outlook — possibilities, not facts
A Prefeitura de São Paulo aumentará a fiscalização e aplicará mais multas às empresas de ônibus que descumprirem o contrato de viagens.
Likely · Within weeks
A investigação da Polícia Civil sobre o suposto envolvimento do PCC com empresas de ônibus resultará em novos processos e possíveis condenações por lavagem de dinheiro.
Possible · Within months
Open Questions
- Qual é a extensão do suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo as empresas de ônibus?
- Quais medidas eficazes a Prefeitura pode tomar para melhorar o serviço além de intervenções pontuais?
- Como a ligação entre o PCC e as empresas de ônibus afeta outros setores da cidade?
- Quais são os critérios usados pela SPTrans para aplicar multas pelas viagens não realizadas?







