
Robô submarino será enviado ao fundo do oceano para registrar formas de vida e investigar formação geológica na Zona de Fratura Romanche.
O programa Fantástico acompanha expedição científica a bordo do navio Falcon para explorar a Zona de Fratura Romanche no Atlântico Sul, mapeando biodiversidade e geologia a quase 6 mil metros de profundidade.
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A separação entre a América do Sul e a África ocorreu há cerca de 200 milhões de anos. Apenas cerca de um quarto das profundezas oceânicas foi mapeado até hoje.
O Fantástico embarcou no navio Falcon, que se prepara para acessar pela primeira vez uma região remota do mar profundo no Atlântico Sul. A missão científica reunirá 25 pesquisadores de cinco países em uma expedição de um mês e meio para explorar áreas que chegam a quase 6 mil metros de profundidade. Veja a reportagem completa no vídeo acima.
Para investigar o fundo do oceano, os cientistas vão utilizar um robô não tripulado operado remotamente. Adaptado para pesquisas científicas, o equipamento foi projetado para minimizar interferências no ambiente marinho e coletar amostras de rochas, sedimentos e organismos que vivem nas profundezas.
A missão busca desvendar parte de um universo ainda pouco conhecido. Segundo os pesquisadores, apenas cerca de um quarto das profundezas oceânicas foi mapeado até hoje. Em regiões onde a luz do Sol não chega, espécies desenvolveram estratégias incomuns de sobrevivência, como a bioluminescência, usada para atrair presas, fugir de predadores e até se comunicar.
O piloto de robôs submarinos Leonardo acompanha a operação com imagens de alta resolução obtidas pelas câmeras do equipamento. As missões podem durar até 16 horas por dia e exigem coordenação constante entre operadores e cientistas durante a coleta de organismos e amostras do fundo do mar.
O principal alvo da expedição é a Zona de Fratura Romanche, uma extensa estrutura geológica localizada no Atlântico. O local é considerado estratégico para compreender a história da separação entre a América do Sul e a África, ocorrida há cerca de 200 milhões de anos.
O coordenador brasileiro da missão afirma que a área é amplamente estudada do ponto de vista geológico, mas ainda carece de observações diretas sobre sua biodiversidade.
"Há uma expectativa que ela seja uma região mega diversa", afirmou o pesquisador.
Os cientistas também esperam mapear fontes hidrotermais, onde a água aquecida pelo magma emerge por fissuras no fundo oceânico. Esses ambientes sustentam ecossistemas próprios, alimentados por bactérias que utilizam compostos químicos como fonte de energia, em vez da luz solar.
Além das pesquisas, a missão contará com transmissões ao vivo pela internet realizadas pelo Instituto Ocean Schmidt. O público poderá acompanhar as descobertas em tempo real e interagir com cientistas por meio de chats durante a viagem.
Os pesquisadores destacam que estudar o mar profundo também é uma forma de compreender os impactos da ação humana em ecossistemas extremamente frágeis. Segundo eles, danos causados por atividades como a pesca de arrasto, a poluição por plástico e as mudanças climáticas podem levar milhares de anos para ser revertidos ou até se tornar permanentes.
"O pouco que a gente conhece, a gente sabe que é um sistema lento. Qualquer destruição vai demorar milhares de anos para recuperar ou nunca mais vai recuperar", alertou um dos cientistas da expedição.

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