Fato ou Fake checa declarações de Eduardo Paes em sabatina ao governo do Rio de Janeiro
Quick Look
- O Fato ou Fake checou as declarações do candidato ao governo do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), durante sabatina.
- A checagem analisou falas sobre prisões de ex-secretários estaduais, Índices de Desenvolvimento da Educação Básica, gastos com segurança pública e limite de endividamento da capital.
AI-generated summary
Why It Matters
Sabatina realizada por O Globo, Extra, Valor e CBN com candidatos ao Governo do Estado do Rio de Janeiro. A checagem do Fato ou Fake verifica a veracidade dos dados apresentados durante a entrevista.
Sabatina candidatos ao Governo do Estado do Rio de Janeiro Eduardo Paes ( PSD) com os entrevistadores Leandro Resende, Chico Goes, Bernardo Mello Franco , Bianca Santos e Thiago Prado — Foto: Ana Branco / Agência O Globo
O candidato ao governo do Rio pelo PSD, Eduardo Paes, foi entrevistado nesta sexta-feira (11) por "O Globo", "Extra", "Valor" e CBN. Conduzida pelos apresentadores da CBN Rio Bianca Santos e Leandro Resende; pelo editor de Política dos jornais "O Globo" e "Extra", Thiago Prado; pelo colunista Bernardo Mello Franco e por Francisco Góes, chefe da sucursal do "Valor" no Rio, a entrevista começou às 10h30 e teve 1h30 de duração.
A série foi aberta nesta terça-feira (8) com o deputado estadual Douglas Ruas (PL). Já William Siri (PSOL) foi sabatinado na quarta-feira (9), e Anthony Garotinho (Republicanos) na quinta-feira (10). Cada entrevista teve uma hora e meia de duração.
A programação é a seguinte:
8 de setembro (terça-feira) - Douglas Ruas (PL) – leia a checagem
9 de setembro (quarta-feira) - William Siri (Psol) – leia a checagem
10 de setembro (quinta-feira) - Anthony Garotinho (Republicanos) – leia a checagem
11 de setembro (sexta-feira) - Eduardo Paes (PSD)
A equipe do Fato ou Fake checou as principais declarações de Eduardo Paes (PSD). Leia:
"O governo do PL no Rio teve quatro secretários presos com ligação ao crime organizado. Secretário de Polícia Civil, secretário de Administração Penitenciária e dois que ainda estão presos: secretário de Defesa do Consumidor, de Esporte e que foi secretário de Ordem Pública do Crivella, na prefeitura. E o sujeito que quer ser candidato a governador deles, o Douglas Ruas, é uma espécie de ‘regra dois’. O candidato a governador do PL, Cláudio Castro, antes do Douglas Ruas, era o Rodrigo Bacellar."
A declaração é #FATO. Veja por quê:
Allan Turnowski, ex-secretário estadual de Polícia Civil, foi preso em 2022. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) o denunciou sob acusação de integrar uma organização criminosa ligada ao jogo do bicho e de atuar em favor de contraventores. Atualmente, responde em liberdade. Raphael Montenegro, então secretário estadual de Administração Penitenciária, foi preso em 2021. A investigação apontava suspeitas de negociação de vantagens com integrantes do Comando Vermelho.
Alessandro Pitombeira Carracena ocupou as secretarias estaduais de Esporte e Lazer e de Defesa do Consumidor e havia sido secretário municipal de Ordem Pública durante a gestão Marcelo Crivella. Está preso desde setembro de 2025. Segundo investigação da Polícia Federal (PF), ele integraria o núcleo político de uma organização ligada ao Comando Vermelho. Carracena e outros acusados no caso agora são réus na Justiça.
Rodrigo Bacellar, que foi secretário estadual de Governo de Castro, também foi preso. Em março de 2026, o Supremo Tribunal Federal (STF) voltou a decretar sua prisão preventiva por suspeitas de vazamento de informações e obstrução de investigações relacionadas a organizações criminosas.
"O estado do Rio é o pior Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica] do Brasil. A cidade de São Gonçalo está na penúltima posição."
#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
O Ideb não atribui uma nota única à educação de cada estado, por isso não é possível afirmar de forma geral que o Rio de Janeiro tem "o pior Ideb do Brasil". O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulga resultados separados por etapa de ensino — anos iniciais, anos finais e ensino médio — e por rede.
No ensino médio da rede estadual, etapa sob responsabilidade dos governos estaduais, o Rio de Janeiro registrou notas de 3,7 em 2025. É o segundo menor resultado entre as unidades da Federação, empatado com Amazonas, Roraima e Amapá e acima apenas do Distrito Federal (3,6). Portanto, o Rio está entre os piores resultados do país nesse recorte, mas não é isoladamente "o pior".
O Ideb da rede estadual fluminense no ensino médio subiu de 3,3, em 2023, para 3,7, em 2025, melhora puxada pelo aumento do indicador de rendimento escolar, ligado à aprovação, que passou de 80% para 92%. Ao mesmo tempo, o indicador de aprendizagem usado no cálculo do Ideb teve ligeira queda de 4,095 para 4,036. Em língua portuguesa, a média do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) recuou de 258,09 para 254,76 pontos; em matemática, de 252,19 para 251,53.
São Gonçalo também não ocupa a penúltima posição no Ideb 2025 dos anos iniciais da rede municipal. A cidade obteve 4,9, terceira menor nota entre os municípios fluminenses, empatada com Duque de Caxias. Japeri teve o menor índice, 4,3, e Belford Roxo, o segundo menor, 4,8.
Embora não seja a penúltima, São Gonçalo permanece entre os municípios fluminenses com os menores resultados. A nota dos anos iniciais subiu de 4,5, em 2023, para 4,9, em 2025. Nos anos finais, o município passou de 3,9 para 4,2.
"O chefe da Polícia Civil, o tal do Amim [Marcus Vinícius Amim Fernandes] ... mudaram a lei orgânica da Polícia Civil para nomear um ‘cupincha’ do Rodrigo Bacellar, que quando foi demitido foi parar na segurança da Alerj."
A declaração é #FATO. Veja por quê:
Marcus Vinícius Amim Fernandes é delegado da Polícia Civil e comandou a corporação entre outubro de 2023 e setembro de 2024. Antes, chefiou a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e presidiu o Detran-RJ.
A nomeação ocorreu após a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) alterar a Lei Orgânica da Polícia Civil. Até então, o secretário precisava ter pelo menos 15 anos como delegado. A mudança passou a considerar o tempo de serviço na instituição e permitiu que Amim assumisse o cargo.
Rodrigo Bacellar era presidente da Alerj na época e apoiou a indicação de Amim para a Polícia Civil. Após deixar a secretaria, em setembro de 2024, Amim foi nomeado para coordenar a segurança da Assembleia.
Em julho de 2026, Amim foi alvo da 6ª fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, que investiga supostas conexões entre agentes públicos e grupos criminosos e um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis. A Corregedoria da Polícia Civil também abriu investigação disciplinar contra ele.
"Eu não tenho o apoio do Antônio Rueda [...] como que o meu partido apoia ele? Se o Antonio Rueda quiser pedir voto pra mim, eu vou agradecer [...] ele é do União Brasil [...] mas não está me apoiando, nem o meu partido está apoiando a candidatura dele."
#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
O União Progressista (federação partidária brasileira, formada pelos partidos União Brasil e Progressistas) declarou neutralidade na disputa pelo governo do Rio, mas Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil, vem fazendo movimentos favoráveis ao grupo de Eduardo Paes. Ele participou de agendas com aliados do candidato e esteve em evento de campanha em São João de Meriti.
A neutralidade da federação não impede manifestações individuais. Rueda, por exemplo, declarou apoio ao candidato a senador Pedro Paulo (PSD), aliado de Paes, e mantém articulações com políticos dos dois lados da disputa.
Rueda, candidato a deputado federal, foi citado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em uma proposta de delação rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), no caso que envolve investimentos do Rioprevidência no Banco Master. Segundo o relato, ele teria atuado para viabilizar os aportes. A PF investiga transferências de quase R$ 3,7 bilhões.
"[...] acabar com esse déficit de 20 de mil vagas que tem no sistema penitenciário [no Rio de Janeiro]."
A declaração é #FATO. Veja por quê:
O sistema penitenciário do Rio de Janeiro tem déficit de cerca de 19 mil vagas, número que se aproxima dos 20 mil mencionados por Eduardo Paes.
Segundo a Secretaria de Polícia Penal, o déficit está relacionado ao problema crônico de superlotação das unidades prisionais fluminenses. Apenas 8 das 47 unidades não apresentam falta de vagas.
"[Em] Segurança Pública, somos o estado [Rio de Janeiro] que mais gasta no Brasil."
#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho de 2026 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, traz os dados de 2025. Naquele ano, os estados e o Distrito Federal gastaram R$ 131,2 bilhões em segurança pública.
O Rio de Janeiro empenhou R$ 17,37 bilhões na área em 2025, cerca de R$ 1.100 por habitante, figurando em quarto lugar. Foi o segundo maior valor absoluto, atrás apenas de São Paulo, que gastou R$ 18,38 bilhões. Portanto, não é correto dizer que o Rio é o estado que mais gasta em valores absolutos.
No entanto, a segurança pública representou 14,9% das despesas do Rio, o maior percentual entre os estados brasileiros. São Paulo, por exemplo, destinou 4,8%.
No RREO em Foco de 2025 (Relatório Resumido de Execução Orçamentária), do Tesouro Nacional, a Segurança Pública correspondeu a 16% das despesas empenhadas pelo Rio, a segunda maior proporção entre os estados, atrás de Minas Gerais, com 20%.
"O melhor Ideb do Brasil foi Goiás [...]. Nós gastamos o dobro por aluno do que gasta Goiás."
#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
O Rio de Janeiro realmente gasta quase o dobro por aluno em relação ao estado de Goiás. O levantamento do Movimento EducAçãoRio aponta R$ 19.580 por aluno ao ano no Rio, contra R$ 10.704 em Goiás, uma diferença de 83%.
Goiás, no entanto, não tem “o melhor Ideb” (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) do Brasil. O estado foi líder no Ensino Médio em 2023, com nota 4,8. No resultado mais recente do Ideb, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em 2026, o Paraná assumiu a liderança, com 5,1, enquanto Goiás ficou com 5,0.
"O deputado Chiquinho Brazão foi uma indicação do Partido dos Republicanos, construindo um apoio para a candidatura de 2024. Não havia, naquele momento, nada que desabonasse a conduta dele. O próprio caso da Marielle e o envolvimento do irmão dele [Domingos] tinha sido descartado em determinado momento. Primeira coisa que eu fiz quando se levantou a suspeita, aliás, acho que surge a suspeita numa coluna do Bernardo [Mello Franco], é exonerar o sujeito."
A declaração é #FATO. Veja por quê:
Chiquinho Brazão foi indicado pelo Republicanos para assumir a Secretaria Especial de Ação Comunitária da Prefeitura do Rio. A nomeação ocorreu em 3 de outubro de 2023, como parte da articulação política entre Paes e o partido pensando na reeleição municipal de 2024.
A escolha, no entanto, aconteceu justamente em um momento em que novas suspeitas sobre o irmão de Chiquinho, Domingos Brazão, haviam voltado ao centro da investigação do caso Marielle. A informação sobre o avanço das suspeitas e o envio do caso ao Superior Tribunal Justiça (STJ) foi revelada pelo colunista do GLOBO Bernardo Mello Franco.
O ex-policial militar Ronnie Lessa, acusado de ter sido o executor da morte de Marielle, , apontou Domingos Brazão como um dos mandantes do assassinato, em seu acordo de delação premiada.
A delação foi homologada pelo STF em janeiro, e a partir daí as suspeitas ganharam grande repercussão. A prisão de Chiquinho, Domingos e Rivaldo Barbosa só aconteceria depois, em 24 de março de 2024.
Chiquinho deixou a Secretaria Especial de Ação Comunitária em 1º de fevereiro de 2024, exonerado pela Prefeitura do Rio de Janeiro, na gestão de Eduardo Paes.
"O limite de endividamento da prefeitura do Rio de Janeiro está muito abaixo disso. É 40%, 50%. Vai dar negócio de Fato ou Fake, eu tenho que checar, porque não estou com os números da Prefeitura do Rio muito na cabeça. Então, ponham #NÃOÉBEMASSIM, amanhã. Ou seja, a prefeitura do Rio tem uma capacidade de endividamento enorme para continuar investindo."
A declaração é #FATO. Veja por quê:
As relação entre a dívida do município do Rio de Janeiro e sua receita corrente líquida variou, nos últimos anos, de 35% a 48%, informam relatórios de gestão e pareceres do Tribunal de Contas do Município
De acordo com o Relatório de Gestão Fiscal da Prefeitura do Rio de Janeiro, a dívida líquida consolidada em 2024 era de R$ 16,94 bilhões para uma receita corrente líquida de R$ 34,89 bilhões. A relação entre as duas era de 48,55%
Em 2025, a prefeitura do Rio de Janeiro chegou ao final do ano com uma dívida líquida de R$ 13,25 bilhões para uma receita corrente líquida de R$ 36,96 bilhões. A relação entre as duas era de 35,84%.
Para justificar o argumento de que o município do Rio de Janeiro tem capacidade de endividamento para investir, Paes se vale da diferença entre a atual relação da dívida e a receita corrente líquida do município e a permitida pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
Participaram da checagem: Anna Júlia Steckelberg, Clara Simão, Lucas Guimarães, Mel Trench e Raphael Salomão.
Open Questions
- Como as checagens influenciarão a disputa eleitoral no estado do Rio de Janeiro?





