Mais de 70 mulheres eram mantidas em cárcere privado e torturadas com castigos e sedativos em clínica no Paraná
Dono do estabelecimento foi preso em Terra Roxa; Ministério Público aponta uso de sedativos, trabalho forçado e proibição de visitas.
Quick Look
- Mais de 70 mulheres, incluindo pessoas com deficiência, eram mantidas contra a vontade em uma clínica terapêutica em Terra Roxa, Paraná.
- Investigação aponta tortura, trabalho forçado e sedação forçada.
- Proprietário foi preso durante a Operação Aurora.
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Why It Matters
A clínica atuava como centro terapêutico para dependentes químicas e abrigava mulheres com deficiência. A Operação Aurora investiga denúncias de maus-tratos e cárcere privado.
Mais de 70 mulheres eram mantidas em cárcere privado e torturadas com castigos e sedativos em clínica no Paraná
Dono do estabelecimento foi preso em Terra Roxa. Segundo Ministério Público, internas eram forçadas a trabalhar, ficavam sem visitas e eram sedadas para perder a consciência.
Por Mayala Fernandes, g1 PR e RPC Cascavel
Durante a Operação Aurora, o proprietário do estabelecimento foi preso temporariamente, mas a clínica segue funcionando até que a transferência das pacientes ocorra de forma gradual.
O Ministério Público apurou o uso forçado de sedativos apelidados de 'danone' para deixar as internas inconscientes.
A instituição atuava como centro terapêutico para dependentes químicas e abrigava também mulheres com deficiência entre as internadas.
Em nota, a clínica negou as denúncias de cárcere privado e maus-tratos, afirmando que oferece uma rotina baseada em "humanização, amor, carinho, respeito e profissionalismo".
A Clínica Médica Vida Nova, em Terra Roxa, no Oeste do Paraná, mantinha cerca de 72 mulheres internadas, muitas delas contra a própria vontade e impedidas de sair do local. Segundo a investigação, as internas eram submetidas a castigos, trabalho forçado, suspensão de visitas familiares e sedação forçada.
O gestor e proprietário da clínica foi preso temporariamente na terça-feira (15), durante a Operação Aurora. O pai dele também foi preso em flagrante por posse ilegal de armas de fogo e munições, mas foi liberado após pagar fiança. A identidade dos dois não foi divulgada.
A clínica não foi interditada, e as mulheres seguem internadas no local. Segundo o Ministério Público, não havia condições de transferir todas as pacientes para outros estabelecimentos de uma só vez e a remoção será feita de forma gradual.
Em nota, a Clínica Médica Vida Nova informou que está colaborando com as investigações e reafirmou seu compromisso com a transparência e com a segurança das mulheres acolhidas. A clínica negou práticas desumanizadas, cárcere privado ou qualquer conduta fora dos parâmetros legais.
"Hoje acolhemos em média 70 mulheres, oferecendo uma rotina baseada em humanização, amor, carinho, respeito e profissionalismo, com o trabalho de uma equipe multidisciplinar", diz o comunicado.
O centro terapêutico atuava com internação de dependentes químicos e era exclusivo para mulheres. Segundo o MPPR, entre as internas havia pessoas com deficiência.
Segundo a promotora Gabriela Hanna Pereira, responsável pelo caso, há indícios de que algumas mulheres foram levadas à clínica sem qualquer autorização legal.
"Há relatos de que vítimas foram capturadas por pessoas não identificadas e entregues à clínica sem nenhuma ordem judicial ou solicitação médica anterior", afirmou.
A investigação aponta ainda indícios de que os responsáveis pela clínica aplicavam castigos, suspendiam visitas de familiares e submetiam as mulheres a trabalho forçado.
O Ministério Público apurou ainda o uso forçado de medicamentos sedativos — apelidados na clínica de "danone" — aplicados para deixar as internas inconscientes. Também há relatos de omissão de socorro médico e de ameaças para que as mulheres ficassem em silêncio durante inspeções de órgãos de fiscalização.
A Operação Aurora foi conduzida pela Promotoria de Justiça de Terra Roxa, com apoio do Núcleo Regional de Umuarama do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Centro de Apoio Técnico à Execução (Caex).
Além do mandado de prisão, a Justiça autorizou buscas em cinco endereços, na sede da clínica, nas casas dos investigados, em uma propriedade rural e em veículos.
A Justiça também liberou o acesso aos dados dos aparelhos eletrônicos apreendidos. O material recolhido será analisado pelo MPPR para dar sequência à investigação e apurar a responsabilidade de todos os envolvidos.
What to Watch
AI outlook — possibilities, not facts
Transferência gradual das pacientes para outras instituições.
Very likely · Within weeks
Open Questions
- Quais serão as medidas definitivas para a transferência das pacientes?
- Quantas pessoas no total estão sendo investigadas?






