
Montes Claros inaugura nova turma da Escola Municipal de Educação para o Consumo, projeto criado em 2025 que aborda direitos do consumidor, planejamento financeiro, consumo consciente, preservação ambiental e desafios da era digital, formando estudantes desde cedo para decisões responsáveis.
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O projeto da Escola Municipal de Educação para o Consumo teve origem em uma denúncia de um morador de Montes Claros ao Ministério Público sobre uma cobrança indevida, que resultou em ação civil pública e acordo. Parte dos recursos do acordo financiou a reforma do Procon e a construção da escola, inaugurada em 2025.
Criado em 2025, o projeto oferece aos alunos conhecimentos que vão além da educação financeira. A proposta aborda temas como direitos do consumidor, planejamento financeiro, uso consciente de produtos e serviços, comportamento e aspectos psicológicos relacionados ao consumo, além da importância do descarte correto de resíduos e da preservação ambiental.
A iniciativa é desenvolvida pela Administração Municipal por meio da Escola Municipal de Educação para o Consumo, instalada em espaço anexo ao Procon. A expectativa é contribuir para que os estudantes desenvolvam, desde cedo, hábitos mais responsáveis na relação com o dinheiro, o consumo e o meio ambiente. Com a abertura da nova turma, Montes Claros amplia a ação voltada à formação cidadã e à preparação dos jovens para tomar decisões mais conscientes no dia a dia.
A estudante Ana Clara dos Santos Marques, de 12 anos, participou da aula magna e tirou dúvidas com os palestrantes. “Eu achei ótimo e muito legal. Aprendi muito sobre educação financeira e que somos consumidores desde quando nascemos até quando morremos”, destacou a aluna do sexto ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Alcides Carvalho.
NASCIMENTO DO PROJETO – A história da escola está diretamente ligada ao exercício da cidadania. O projeto começou a ser concebido a partir da iniciativa de um morador de Montes Claros que procurou o Ministério Público para denunciar uma cobrança considerada indevida. O caso resultou em uma ação civil pública e, posteriormente, em um acordo. Parte dos recursos advindos desse acordo foi utilizada na reforma da sede do Procon de Montes Claros e na construção da Escola Municipal de Educação para o Consumo.
A iniciativa individual acabou dando origem a um projeto com alcance coletivo. A proposta é utilizar a educação como instrumento para prevenir conflitos nas relações de consumo e formar novas gerações mais conscientes de seus direitos e deveres. Entre os problemas que a escola pretende enfrentar estão o baixo letramento financeiro, o desconhecimento dos direitos do consumidor, o uso inadequado do crédito e a influência cada vez maior da publicidade e das redes digitais sobre as decisões de compra.
ERA DIGITAL – O avanço das plataformas digitais e das novas tecnologias ampliou as possibilidades de consumo, mas também trouxe novos desafios. Publicidade direcionada por algoritmos, compras realizadas por aplicativos, superendividamento, apostas on-line e consumismo estão entre os temas que passam a fazer parte da discussão sobre cidadania econômica.
Para o promotor de Justiça e coordenador Regional de Defesa do Consumidor de Montes Claros, Felipe Gonçalves Caires, preparar os jovens para essa realidade é uma necessidade. “Em uma era de algoritmos, de plataformas digitais, de superendividamento, de problemas com bets, de consumismo e de urgência pela sustentabilidade é fundamental trabalharmos com a educação para o consumo dos nossos jovens. Inclusive porque eles também serão os futuros fornecedores e assim tenderão a colaborar nestas questões”, destaca.
A proposta pedagógica da escola está estruturada a partir do conceito de cidadania econômica. Os conteúdos deverão abordar planejamento financeiro, consumo ético e sustentável, proteção jurídica do consumidor, utilização segura das tecnologias digitais, empreendedorismo, pensamento crítico, inovação, participação cidadã e responsabilidade socioambiental. A intenção é aproximar esses conhecimentos da realidade cotidiana dos alunos e demais participantes, permitindo que os conteúdos tenham aplicação prática na vida das pessoas.
FORMAÇÃO PERMANENTE – A coordenadora pedagógica da Escola Municipal de Educação para o Consumo, Elisângela Mesquita Silva, explica que a metodologia pretende trabalhar com experiências concretas e situações presentes no cotidiano. “A Escola Municipal do Consumidor promove formação continuada e permanente por meio da experienciação, articulando conhecimentos às vivências cotidianas dos cidadãos e contribuindo para relações de consumo mais conscientes e equilibradas”, explica.
Além dos estudantes, a unidade deverá atuar na formação continuada de educadores e servidores públicos. A ideia é que o conhecimento sobre relações de consumo seja disseminado dentro e fora do ambiente escolar, fortalecendo uma cultura de prevenção, informação e cidadania.
A implantação da escola coloca Montes Claros em posição de destaque nacional na área de educação para o consumo. A expectativa é que o projeto se torne referência na formação de cidadãos capazes de tomar decisões financeiras e de consumo com mais informação, responsabilidade e consciência.

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