Pacientes de cidades do interior de Mato Grosso do Sul enfrentam longas viagens para tratamento especializado
Quick Look
Pacientes de Terenos e Coxim, no interior de Mato Grosso do Sul, relatam dificuldades para acessar tratamentos especializados, necessitando de longas viagens até Campo Grande para hemodiálise e atendimento médico, contando com apoio familiar e enfrentando desgaste físico e emocional devido à falta de estrutura local.
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Why It Matters
A reportagem faz parte da série 'Me Escute Porque Eu Decido', exibida pela TV Morena entre 7 e 11 de setembro, integrando a cobertura especial para as Eleições 2026, focando em histórias de cidadãos de Mato Grosso do Sul.
Para quem vive em cidades do interior de Mato Grosso do Sul, conseguir atendimento especializado pode significar enfrentar longas viagens, esperar por encaminhamentos e até contar com a ajuda da família para conseguir tratamento. Assista ao vídeo.
🔎 Esta reportagem faz parte da série “Me Escute Porque Eu Decido”, exibida no MS2 entre os dias 7 e 11 de setembro. Os conteúdos integram a cobertura especial da TV Morena para as Eleições 2026.
Tratamento longe de casa
Em Terenos, a aposentada Maria de Almeida Borges, de 76 anos, precisa viajar três vezes por semana até Campo Grande para fazer hemodiálise. O tratamento começou há quatro anos, depois que ela teve Covid-19 e precisou ser internada e entubada.
“Quando eu saí do hospital, já fui para a hemodiálise. E estou lutando até hoje.”
Maria mora em Terenos, mas a cidade não possui uma clínica especializada para a realização da hemodiálise. Para chegar ao tratamento, ela depende de uma van que transporta pacientes até Campo Grande.
A distância entre as duas cidades é de cerca de 32 quilômetros, mas o trajeto pode levar aproximadamente duas horas devido às paradas. A rotina começa ainda pela manhã. Nos dias de tratamento, Maria precisa acordar cedo, organizar a casa e deixar o almoço preparado antes de sair.
A van tem 22 lugares e quase sempre segue lotada somente com pacientes de Terenos. Por volta do meio-dia, o veículo chega à clínica em Campo Grande, onde começa o tratamento. A previsão é de retorno por volta das 17h, mas imprevistos podem fazer com que a paciente chegue em casa somente às 19h.
“Cansa tudo, cansa a cabeça. Tem dias que dá vontade de desistir, mas aí continua.”
Dona Maria em sua casa seguindo a rotina — Foto: Arquivo TV Morena
Filhos se revezam para acompanhar a mãe
Além do desgaste provocado pelas viagens, Maria precisa contar com os filhos para acompanhá-la nas sessões. A família criou um sistema de revezamento. Como o tratamento acontece três vezes por semana, cada dia um dos filhos acompanha a mãe.
Vanildo de Almeida Borges, servidor público e filho de Maria, conta que costuma pedir dispensa do trabalho para conseguir acompanhá-la.
“A gente se organiza. Cada dia vai uma pessoa com ela.”
Segundo ele, as chefias compreendem a situação e ajudam na organização das horas de trabalho. Para Vanildo, se o tratamento pudesse ser realizado em Terenos, a rotina da mãe seria menos cansativa.
A própria Maria também gostaria de ter essa possibilidade. Para ela, fazer o tratamento na cidade onde mora permitiria mais flexibilidade de horários e reduziria o tempo perdido na estrada. “Se fosse aqui, era outra coisa.”
Hospital em que dona Maria faz tratamento — Foto: Arquivo TV Morena
A espera pelo atendimento
A dificuldade para conseguir atendimento especializado também aparece na história de Dona Pedroza, em Coxim.
Ela começou a apresentar problemas de saúde depois de uma gripe que não passava. Procurou atendimento no posto de saúde e recebeu medicamentos, mas os sintomas voltaram e se agravaram.
Com o tempo, vieram dores no peito e nas costas. A família buscou novamente o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas, segundo Dona Pedroza, o encaminhamento considerado urgente demorou a chegar.
“Foi dois meses. E se não fosse com urgência? É para morrer, não é?”
Diante da piora do quadro, os filhos decidiram reunir dinheiro para levar a mãe a Campo Grande. A família conta que todos contribuíram como podiam para conseguir o atendimento.
Dona Pedroza acompanhada de sua filha — Foto: Arquivo TV Morena
Rosângela de Souza, filha de Dona Pedroza, afirma que a situação chegou a um ponto em que os familiares decidiram não esperar mais. “Se não tirasse, eu acredito que ela não estava mais aqui.”
Em Campo Grande, Dona Pedroza passou por dois especialistas até descobrir possíveis causas para a tosse e a falta de ar.
Segundo a família, ela tem um nódulo nos pulmões, apresentou outro no seio e também possui aumento do coração. O tratamento ainda não terminou. Para conseguir pagar parte dos cuidados, a família chegou a decidir pela venda de um pedaço da chácara de Dona Pedroza.
Após o início do tratamento, Dona Pedroza afirma que passou a se sentir melhor e que a falta de ar diminuiu. “Hoje eu já me sinto melhor.”
*Produção: Alysson Maruyama, Caio Tumelero, Gessé López, Michel Pena, Nádia Nicolau, Nicholas Vasconcelos e Rodrigo de Freitas. Imagens: Aldemir Romero, Fábio Rodrigues, Itamar Silva e Valdeir Pereira. Assistente técnico: Nelson Bueno. Videografismo: Leandro Ricarte e Paulo Ribeiro. Edição de imagens: Paulo Ribeiro. Roteiro e direção: Jaqueline Bortolotto.
Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:
Open Questions
- Quando haverá uma clínica de hemodiálise em Terenos?
- Quais são os planos do governo estadual para melhorar o acesso à saúde no interior?
- Por que o encaminhamento urgente para Dona Pedroza demorou dois meses?
- Qual é o status atual do tratamento de Dona Pedroza após a descoberta dos nódulos?







