PL de São Paulo destaca candidaturas femininas na propaganda eleitoral da TV
Quick Look
- Na primeira semana de propaganda eleitoral na TV, o PL de São Paulo priorizou candidaturas femininas, com mulheres ocupando a maior parte do horário destinado a candidatos a deputado federal e estadual, incluindo uma candidata trans.
- O movimento acompanha a estratégia nacional do partido, que busca o voto feminino diante de pesquisas que mostram vantagem de Lula entre eleitoras.
- A legenda cumpriu o piso de 30% de candidaturas femininas exigido pela Lei das Eleições, com 33,8% nas federais e 31,58% nas estaduais em São Paulo.
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Why It Matters
A Lei das Eleições estabelece um piso de 30% para candidaturas femininas. Desde 2018, decisões do STF e do TSE estenderam essa proporcionalidade ao financiamento de campanhas e ao tempo de propaganda gratuita no rádio e na TV, exigindo que partidos cumpram a cota de forma semanal, não cumulativa.
Na primeira semana de propaganda eleitoral na TV, o PL de São Paulo colocou o holofote sobre candidaturas femininas. No horário reservado aos postulantes de vagas a deputado federal e estadual do partido, figuraram, em sua maioria, mulheres, incluindo uma trans.
O movimento acompanha a esfera nacional, uma vez que Flávio Bolsonaro (PL), candidato do partido à Presidência, dedica boa parte do seu horário ao eleitorado feminino, o que inclui a participação de sua mulher, Fernanda.
No dia 28, primeiro dia do horário eleitoral, o PL exibiu só candidatas à Câmara e à Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo). No dia seguinte, os 2 minutos e 15 segundos reservados para postulantes a deputados foram ocupados por quatro candidatas: Rosana Valle, Rita Zambelli —mãe de Carla Zambelli—, Katia Sastre e Tatiane Costa. Cada uma teve inserções de cerca de 30 segundos.
Na noite de segunda (31), assim como na terça (1º), todas as peças de candidatos a deputado federal pelo PL veiculadas em São Paulo foram de candidaturas femininas, incluindo a de Sophia Barclay, influenciadora que se define como "trans de direita anti-woke". Na quarta (2) e na noite de quinta (3), só havia candidatos homens.
A maioria das postulantes se autointitula defensora do direito das mulheres e das crianças. Algumas ainda aproveitam o tempo de TV para se declararem conservadoras nas pautas de costume, como é o caso da vereadora de Praia Grande e candidata a deputada estadual Eduarda Campopiano. Na propaganda, ela diz ser a "maior inimiga das feministas".
O PL lançou 71 candidaturas a deputado federal em São Paulo, das quais 24 são de mulheres —33,8% do total, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) atualizados na quinta (3). Na disputa às cadeiras da Alesp, a legenda lançou 95 candidaturas, das quais 30 são femininas (31,58% do total). As proporções superam o piso de 30% exigido pela Lei das Eleições.
De acordo com a mais recente pesquisa Datafolha, Flávio tem o voto de 36% dos homens e 31% das mulheres. Com Lula (PT), há mais equilíbrio entre homens (38%) e mulheres (39%). O percentual de mulheres indecisas é de 4%, e o de homens é de 2%. Enquanto isso, 7% das mulheres declaram voto em branco ou nulo. Para os homens, esse percentual é de 5%.
A distribuição do tempo de propaganda na TV segue regra do TSE: o percentual do horário eleitoral reservado a mulheres deve corresponder à proporção de candidaturas femininas registradas pela chapa. A aferição é semanal, e não cumulativa —ou seja, a coligação não pode veicular só mulheres no início da campanha e concentrar homens no fim para compensar.
Regra semelhante já vale para o financiamento das campanhas desde 2018. Naquele ano, o STF (Supremo Tribunal Federal) determinou que ao menos 30% dos recursos do fundo partidário fossem destinados a candidatas mulheres. Meses depois, o TSE estendeu a mesma proporção ao fundo eleitoral e ao tempo de propaganda gratuita no rádio e na TV.
A decisão de 2018 mudou a lógica dos partidos em relação às candidaturas femininas, afirma a cientista política Débora Thomé. Tornar o financiamento proporcional fez com que os partidos passassem a investir de fato em candidaturas competitivas, diz.
O PL fez, segundo Thomé, um "esforço hercúleo" para aumentar a participação feminina nos últimos anos, embalado por Michelle Bolsonaro (PL). A cientista política lembra que, na campanha de 2018, o movimento #EleNão, contra Jair Bolsonaro, foi capitaneado por mulheres —e que o partido passou a perceber a importância desse eleitorado.
Na campanha atual, afirma Thomé, pesquisas indicam preferência maior das mulheres por Lula a Flávio Bolsonaro, o que explica o esforço do senador em torno da própria imagem.
Dar destaque a candidatas mulheres pode ser um aceno a esse grupo, diz o advogado Fernando Neisser, professor de direito eleitoral na FGV (Fundação Getulio Vargas). "Pode ser um teste que eles estão fazendo, mas certamente estão acima do mínimo necessário", diz.
No programa nacional exibido no dia 29, Flávio Bolsonaro apresentou depoimento da mulher, Fernanda. "Reeduquei ele", afirmou ela na peça. "Não é à toa que você é o Bolsonaro moderado."
Em outro comercial, dedicado inteiramente às mulheres, Flávio diz ser "casado com a Fernanda, pai da Luísa e da Carol".
"Todo mundo conhece meu pai, mas [...] minhas filhas, minha esposa, minha mãe também me fizeram ser assim, do jeito que eu sou. Então, gente, lá em casa quem manda são elas", afirma. "E o Brasil só vai ser melhor, só vai vencer, se as mulheres forem mais fortes e vencerem cada vez mais."
Mulheres na esquerda
Do lado de Lula, a campanha tem usado a primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, como porta-voz dos direitos das mulheres. No primeiro programa eleitoral, foi ela quem falou logo após declarações iniciais do presidente e do vice, Geraldo Alckmin (PSB).
No terceiro dia, Lula dedicou um programa inteiro ao segmento feminino, assim como fez Flávio.
A peça abre com uma gestante em um exame de ultrassom: ao saber que espera uma menina, seu sorriso murcha. Em seguida, uma sequência de falas machistas atribuídas a membros da família Bolsonaro, como "não estupro você porque você não merece", "vagabunda" e "dei uma fraquejada e veio uma mulher", ditas pelo ex-presidente Bolsonaro.
O vídeo termina com Flávio, de sunga, imitando de forma jocosa o irmão mais novo, Jair Renan, abordando mulheres com a frase "sou filho do presidente, quer me dar?". "Dá até medo ter uma filha num ambiente assim", diz a narradora.
"O presidente Lula não se cala diante da violência contra as mulheres", afirma Janja.
Depois da assinatura da campanha, o programa retoma o ataque aos Bolsonaro: "Você conhece o Flávio Bolsonaro? Ele cresceu em uma família preconceituosa. Lembra como o pai desrespeita as mulheres?", diz a apresentadora.
What to Watch
AI outlook — possibilities, not facts
O PL manterá ou aumentará o destaque a candidatas femininas na propaganda eleitoral nas próximas semanas, caso as pesquisas não mostrem melhora significativa no apoio das mulheres a Flávio Bolsonaro.
Likely · Within weeks
Open Questions
- Qual será o impacto da estratégia de destacar candidatas femininas no voto feminino nas eleições?
- Como o eleitorado feminino responderá às mensagens conservadoras de algumas candidatas do PL sobre comportamento e costumes?
- A estratégia de propaganda do PL manterá o equilíbrio de gênero ao longo da campanha ou haverá ajustes posteriormente?







