
Pesquisadores da Fundação Dinópolis descobriram vértebras e ossos chevron de Diplodocus no sítio La Tejería, na Espanha, datados de 150 milhões de anos, representando a primeira evidência esquelética desse dinossauro fora da América do Norte e apoiando a hipótese de intercâmbio faunístico entre continentes durante o Jurássico Superior.
AI-generated summary
O Diplodocus é um dinossauro saurópode conhecido por seu pescoço e cauda longos, anteriormente encontrado apenas em fósseis da Formação Morrison na América do Norte. A descoberta na Espanha sugere que esses animais podem ter migrado entre continentes durante o Jurássico Superior, quando o Atlântico ainda estava se formando.
Pesquisadores que publicaram um estudo nesta semana no Journal of Vertebrate Paleontology afirmaram ter encontrado a primeira evidência esquelética do dinossauro Diplodocus fora da América do Norte.
Eles descobriram diversas vértebras e ossos chevron datados de cerca de 150 milhões de anos em um sítio no leste da Espanha.
Fotos e mapa da escavação do sítio La Tejería, na Espanha. — Foto: Estudo de Sergio Sánchez Fenollosa, Josué García-Cobeña e alberto Cobos.
A equipe da Fundação Dinópolis, em Teruel, que estuda o rico sítio fossilífero de La Tejería, no município de El Castellar, informou que o dinossauro passa assim a integrar uma lista crescente de saurópodes gigantes encontrados na região.
Embora o herbívoro de pescoço longo e cauda grande seja um dos dinossauros mais reconhecidos do mundo, restos fossilizados do animal haviam sido encontrados até agora apenas na América do Norte.
O que os pesquisadores disseram sobre a descoberta?
O artigo publicado na segunda-feira (14) concluiu que a descoberta representa "um dos esqueletos de diplodocídeos mais completos da Europa".
Segundo o estudo, a análise sistemática de 14 vértebras caudais e diversos ossos chevron "revela que o material pode ser atribuído com confiança ao gênero Diplodocus", um dos vários gêneros pertencentes à família dos diplodocídeos, dentro do grupo dos dinossauros saurópodes.
"Esta descoberta constitui a primeira evidência de Diplodocus fora da América do Norte (Formação Morrison) e é uma das provas mais fortes que sustentam o intercâmbio de faunas continentais entre a América do Norte e a Europa durante o Jurássico Superior", escreveram os autores.
Embora o Diplodocus seja conhecido em todo o mundo, em parte graças à famosa réplica do esqueleto apelidado de "Dippy", que durante anos recepcionou visitantes na entrada do Museu de História Natural em Londres, os pesquisadores ressaltaram que "o registro fóssil europeu de diplodocídeos é escasso e fragmentário".
Como os dinossauros teriam atravessado o oceano?
Na época dos dinossauros, os continentes estavam recém-começando a se separar.
Nas últimas décadas, cientistas passaram a teorizar que o proto-Oceano Atlântico ainda possuía pontes terrestres temporárias, recuos episódicos do nível do mar ou outros meios transitórios de travessia, que ocasionalmente permitiam aos dinossauros terrestres percorrer grandes distâncias entre continentes em processo de separação.
Descobertas fósseis recentes, especialmente na Espanha e em Portugal, próximas à costa atlântica, têm reforçado essa hipótese. Essa região fazia parte de uma ponte terrestre que se acredita ter conectado a Península Ibérica ao que hoje é o Canadá.
Os autores afirmam que a descoberta "constitui uma das evidências mais fortes de eventos episódicos de dispersão e intercâmbio faunístico através do proto-Atlântico Norte durante o intervalo do Kimmeridgiano tardio ao Titoniano inicial", período datado de aproximadamente 150 milhões de anos atrás.
Outra rota ligava a América do Norte à Escandinávia, enquanto uma conexão muito mais ao sul unia o que hoje corresponde ao Brasil e aos Camarões.
Vértebras caudais do Diplodocus, do sítio La tejería, na Espanha. — Foto: Estudo de Sergio Sánchez-Fenollosa, Josué García-Cobeña e Alberto Cobos.
AI outlook — possibilities, not facts
Novas expedições paleontológicas serão realizadas no sítio La Tejería e áreas adjacentes na Espanha para buscar mais fósseis de Diplodocus ou outros saurópodes.
Likely · Within months
O estudo será citado em futuros trabalhos sobre paleobiogeografia e conexões faunísticas entre América do Norte e Europa durante o Mesozoico.
Very likely · Within months

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