Quem é quem na Operação Unha e Carne 8 e o que pesa contra cada um, segundo a PF
Ação investiga organização criminosa ligada a postos de combustíveis e corrupção na cúpula da segurança pública
Quick Look
- A Polícia Federal deflagrou a 8ª fase da Operação Unha e Carne, prendendo o deputado Márcio Canella e o delegado Marcus Amim.
- O grupo é investigado por lavagem de dinheiro, corrupção e cartel em postos de combustíveis, movimentando R$ 7,6 bilhões.
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Why It Matters
A operação investiga conexões entre agentes públicos e grupos criminosos no Rio de Janeiro, no âmbito da ADPF 635.
Entre os presos estão Márcio Canella (União Brasil), deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo, e Marcus Amim, delegado e ex-secretário estadual de Polícia Civil. Ambos já haviam sido alvo de buscas na 6ª fase da operação, em julho.
Ao todo, agentes saíram para cumprir 6 mandados de prisão e 16 de busca e apreensão no Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios.
As ordens foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A operação também está inserida no contexto da ADPF 635, a ADPF das Favelas, que determinou, entre outras providências, que a PF conduzisse investigações sobre relações de agentes públicos com grupos criminosos no RJ.
De acordo com um relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o grupo investigado movimentou mais de R$ 7,6 bilhões entre 2020 e 2026.
Moraes também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas investigadas, das quais 96 são postos de combustíveis e revendas associadas.
Segundo a PF, além de organização criminosa armada, são investigados, de acordo com a participação atribuída a cada um, crimes como lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel.
Márcio Canella: articulação política. Segundo a investigação, ele exercia o papel de articulador político do grupo e fazia a ligação entre agentes públicos e a estrutura econômica formada em torno dos postos de combustíveis. A investigação afirma que Canella articulou a indicação de Marcus Amim para a presidência do Detran-RJ e, posteriormente, para a Secretaria de Polícia Civil. Os investigadores também apontam que Canella recebeu cerca de R$ 2,59 milhões em créditos da Brumar Empreendimentos, além de mais de R$ 139 mil em espécie. A origem desses valores, segundo a apuração, não foi esclarecida. Canella foi indiciado por organização criminosa armada e lavagem de dinheiro. “Confio em Deus e na Justiça e tenho certeza de que tudo será esclarecido”, declarou.
Marcus Amim: atuação na cúpula da segurança. Marcus Vinicius Amim Fernandes é delegado e comandou o Detran-RJ antes de assumir a Secretaria de Polícia Civil. Segundo a investigação, ele usava os cargos ocupados para dar proteção institucional às atividades do grupo. Os investigadores afirmam ainda que Amim era sócio oculto do posto Gasmix Alcântara, ao lado dos irmãos Christiano e Giovanni Gaspar Fernandes. A apuração aponta também que uma empresa de Amim, a Mamim Consultoria, recebeu R$ 1,821 milhão da ADM Oil por meio de um contrato de consultoria que os investigadores consideram fictício.
Pablo Russo: controle de uma rede de postos. Pablo Jukiá Felix Ferreira, o Pablo Russo, é inspetor da Polícia Civil. Segundo a investigação, ele era o principal operador de fato de uma ampla rede de postos de combustíveis. A apuração aponta que Pablo atuava em mais de 20 postos e controlava cerca de 43 estabelecimentos de bandeira BR, embora as empresas estivessem formalmente registradas em nome da mulher dele e de uma sócia dela. Os investigadores afirmam ainda que Pablo tinha acesso antecipado, por intermédio de um advogado, a agendas sigilosas de fiscalização do Procon e da Secretaria Estadual de Defesa do Consumidor. Ele foi indiciado por organização criminosa armada, corrupção ativa, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis, formação de cartel e lavagem de dinheiro.
José Carlos Alves de Souza Júnior: gestão dos recursos. José Carlos Alves de Souza Júnior, conhecido como Júnior, também é inspetor da Polícia Civil. Segundo a investigação, embora não aparecesse formalmente como sócio ou administrador da maior parte das empresas, Júnior tinha controle de fato sobre parte da estrutura econômica do grupo. Os investigadores afirmam que ele usava a mulher, Luisi Correa Pinho, como laranja, e participava da distribuição de recursos entre integrantes do grupo e agentes públicos. A investigação também atribui a Júnior ameaças contra um ex-sócio que cobrava valores investidos.
Christiano Gaspar Fernandes: policial civil e secretário municipal. Christiano Gaspar Fernandes é inspetor da Polícia Civil e ocupa o cargo de secretário municipal de Ordem Urbana de Belford Roxo. Segundo a investigação, ele é sócio oculto da Gasmix Alcântara Posto de Gasolina, juntamente com o irmão, Giovanni Gaspar Fernandes. Os investigadores afirmam que Christiano recebia repasses ligados ao posto Gas Mix e aparecia em registros financeiros sob o codinome “Meninos”, também utilizado em referência a Giovanni.
Giovanni Gaspar Fernandes: sociedade oculta no posto. Também inspetor da Polícia Civil, Giovanni Gaspar Fernandes é apontado pela investigação como sócio oculto da Gasmix Alcântara nas mesmas condições do irmão, Christiano. A apuração também analisa operações envolvendo a Vitaserv, empresa ligada à mulher de Giovanni, Taissa Burgos Fernandes. Segundo a investigação, a Vitaserv emitiu R$ 200 mil em notas fiscais de serviços de jardinagem para Luisi Correa Pinho. Os investigadores consideram as notas fictícias e apontam que a empresa não tinha empregados registrados.
Outros alvos da operação. Além dos presos, outros 6 investigados são alvo de medidas na 8ª fase. Eles não tiveram a prisão preventiva decretada, mas foram incluídos nos mandados de busca e apreensão. Um deles também foi afastado cautelarmente da função pública. Glaucio Paz da Silva, sucedeu Marcus Amim na presidência do Detran-RJ: Segundo a investigação, o nome dele aparece repetidamente em anotações manuscritas como destinatário de repasses provenientes de postos vinculados ao grupo. Dimitri Alecrim Gomes Gaudard Tavares: Apontado pela investigação como uma pessoa usada por Júnior para ocultar e movimentar recursos. Segundo a apuração, Dimitri recebeu transferências de Luana Oliveira que somaram R$ 93.062,84. Fábio Henrique Ferreira dos Santos, escrivão da PF: Também foi afastado cautelarmente da função pública. Segundo a investigação, Fábio teria repassado uma informação sigilosa a Pablo Russo na véspera da 6ª fase da Operação Unha e Carne. Diogo Dantas Aguiar: Sobrinho de uma sócia da Opção Ativa, empresa investigada em um caso de contratação direta ilegal. Gabriel da Silva Bastos, o Calcinha: Apontado pela investigação como responsável, junto com Pablo Russo, pelo acesso e pela gestão da DAGG Tavares Projetos Estruturais. Marcio Samary Machado, o Marcio Nit: Segundo a investigação, Pablo Russo enviou a ele um boleto de R$ 748.689,86 emitido em nome de outra pessoa.
What to Watch
AI outlook — possibilities, not facts
Continuidade das investigações sobre a rede de postos
Very likely · Within months
Open Questions
- Qual será o desfecho judicial para os políticos envolvidos?
- Como ficará o abastecimento nos postos interditados?







