Supremo Tribunal Federal: ministros, institutos de ensino e salários acima do teto constitucional
Quick Look
- O Supremo Tribunal Federal enfrenta pressão para anular o processo Master, enquanto ministros como Alexandre de Moraes e André Mendonça disputam estratégias de transparência e investigação.
- O ministro Mendonça criou o Iter, instituto privado que recebeu R$ 11,5 milhões em verbas públicas sem licitação, seguindo o modelo do IDP, fundado por Gilmar Mendes.
- Além disso, seis dos dez ministros do STF recebem salários acima do teto constitucional, ao lado de 53 mil servidores públicos em situação semelhante.
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Why It Matters
O artigo discute conflitos internos no Supremo Tribunal Federal relacionados ao processo Master, envolvendo acusações de tentativa de nulidade do processo pelos advogados de Vorcaro, além da criação de institutos de ensino por ministros que receberam verbas públicas sem licitação e do número de servidores públicos com salários acima do teto constitucional.
Os dez ministros do Supremo precisam olhar para a estatueta da Justiça que enfeita seus gabinetes. Ela é cega.
O presidente do tribunal, Edson Fachin, sabe que a estratégia da turma do Vorcaro é obter a nulidade de todo o processo e de suas provas.
Afinal, o banqueiro quebrado ameaçou várias vezes contar "toda a história" do Master.
Preso, está conseguindo mais do que supunha. Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça engalfinharam-se. Um (Mendonça) quer que os diálogos de Moraes com Vorcaro em poder da Polícia Federal venham a público.
Trata-se da aplicação da lei do juiz americano Louis Brandeis: "A luz do sol é o melhor desinfetante".
O outro, Moraes, quer investigar iniciativas ilegais de Mendonça.
No meio, clarividente, está o presidente do tribunal, Edson Fachin, vendo que a estratégia da defesa de Vorcaro e de sua turma é a busca da nulidade. Assim, a maior fraude financeira da história iria para baixo das togas. Quais? Todas, como se deu com a Lava Jato.
Isso está claro desde o tempo em que a relatoria do caso estava sob o ferrolho do ministro Dias Toffoli.
Como ensinaria Chico Buarque, "chamem o banqueiro".
Institutos e ministros
O ministro André Mendonça deve estar amargamente arrependido de ter criado o Iter, uma instituição privada de ensino nascida em 2024. Ela se apresenta como um lugar onde "autoridades vivem o que ensinam". O sujeito dessa frase é a autoridade, não necessariamente o saber.
Mendonça encabeça o plantel do Iter e é seguido por um "membro da Câmara Nacional de Licitações e Contratos da Advocacia-Geral da União" e por um "assessor de ministro do Supremo Tribunal Federal". O instituto anuncia: "No Instituto Iter você aprende com quem faz".
Em dois anos, o instituto recebeu R$ 11,5 milhões em verbas públicas em 68 contratos sem licitação com órgãos de 15 estados.
Mendonça criou o Iter depois de ser nomeado para o Supremo Tribunal, mas não foi ele quem inventou essa fonte de conhecimento. A iniciativa de maior sucesso nessa área é o IDP, Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, criado pelo ministro Gilmar Mendes há mais de 20 anos, antes de ser indicado para o STF, quando ele era advogado-geral da União. Estendendo suas atividades a Portugal, o IDP promove ciclos de palestras chamadas de "Gilmarpalooza" que reúnem em Lisboa magistrados, ministros, parlamentares e empresários.
O atual procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi um dos fundadores do IDP.
O IDP se apresenta como "conhecimento que conecta, comunidade que transforma" e convida: "Formamos os nomes por trás das grandes decisões. Agora é a sua vez!".
A lei permite que magistrados lecionem. Cada ministro do Supremo recebe R$ 46.366,19, mais automóvel e escolta, no Brasil e no Ultramar.
Pindorama tem dois tipos de sem-teto
Em tese, os servidores não podem receber mais que os vencimentos dos juízes do STF. Na vida real, o Brasil tem dois tipos de sem-teto.
O primeiro tipo não tem onde morar. São cerca de 365 mil pessoas que vivem na rua. O segundo tipo é o dos servidores públicos cujos contracheques ultrapassam o teto constitucional. Eles seriam 53 mil. São magistrados, procuradores, militares, professores e sabe-se lá quem mais. Estima-se que 65% dos magistrados brasileiros recebam a cada mês valores acima do teto. Seis dos dez ministros do STF furam o teto. Como o Supremo está na chuva, vale mencionar os ministros que vivem livres desses penduricalhos: Edson Fachin, Cármen Lúcia, Dias Toffoli e Cristiano Zanin.
Recordar é viver
O caso Master jogou luz sobre a presença de delegados da Polícia Federal em gabinetes de ministros do Supremo. Tudo bem, esse magnetismo é velho e universal.
Em abril de 1964, o marechal Castello Branco nomeou seu colega Juarez Távora (1898-1975) ministro da Viação e Obras Públicas, que ficava no centro do Rio. Juarez começou a trabalhar e percebeu que sempre havia um PM na porta do seu gabinete. Intrigado, o marechal quis saber o que o PM fazia ali.
Demorou, mas veio a informação. Fazia tempo, o ministro da ocasião mandou pintar a porta de sua sala. Com a tinta fresca, algumas pessoas sujaram seus ternos e seu chefe de gabinete mandou que o PM postado à entrada do prédio (no sol) fosse realocado para garantir que ninguém esbarrasse na porta (refrigerada).
Isso, há anos.
What to Watch
AI outlook — possibilities, not facts
O Supremo Tribunal Federal decidirá sobre a nulidade do processo Master nos próximos meses.
Likely · Within months
Haverá investigações sobre a concessão de verbas públicas ao Iter e ao IDP.
Possible · Within months
Open Questions
- O processo Master será anulado pelo Supremo Tribunal Federal?
- Quais foram os critérios para a concessão de verbas públicas ao Iter e ao IDP?
- Quais medidas serão tomadas contra os servidores que recebem acima do teto constitucional?







