
Oferta de imóveis para locação tradicional caiu 32% em quatro anos, enquanto turismo aquecido e juros elevados pressionam os preços em diferentes regiões da cidade.
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A oferta de imóveis para aluguel tradicional no Rio de Janeiro caiu 31,8% entre 2023 e 2026, impulsionada pelo crescimento de locações por temporada e juros elevados.
A oferta de imóveis para aluguel tradicional no Rio de Janeiro caiu 31,8% entre 2023 e 2026, impulsionando a alta dos preços.
O crescimento de locações por temporada, impulsionado pelo recorde de turistas em 2025, retirou imóveis do mercado tradicional.
O Leblon tem o metro quadrado mais caro de aluguel, enquanto o Centro registrou a maior valorização, de 34,9%.
Com juros elevados dificultando a compra, os aluguéis subiram 38,09% em três anos, contra 11,34% do valor de venda.
Quem procura um imóvel para alugar no Rio de Janeiro tem encontrado um cenário cada vez mais difícil: menos opções disponíveis, preços mais altos e uma concorrência maior pelos imóveis.
Os números confirmam essa percepção. Dados do Sindicato da Habitação do Rio (Secovi Rio) apontam que a oferta de imóveis para locação tradicional caiu 31,8% entre 2023 e 2026.
A combinação entre a redução da oferta de moradias para locação tradicional, o crescimento das locações por temporada e os juros elevados, que dificultam a compra da casa própria, tem impulsionado o mercado de aluguel em praticamente toda a cidade.
É a realidade vivida pelo produtor cultural Gustavo Canella. Há seis anos, ele vem mudando de bairro para conseguir manter o aluguel dentro do orçamento. Já morou na Zona Sul, passou pelo Centro e hoje vive na região de Vila Isabel. Agora, procura um novo apartamento na Tijuca, mas diz que a busca tem sido frustrante.
"É desesperador procurar casa. Você não acha imóvel para longa temporada, só para fim de semana, mobiliado e com um valor lá em cima", diz o produtor cultural Gustavo Canella.
Segundo ele, são meses procurando imóveis com poucas opções disponíveis e valores muito acima do esperado. Gustavo também relata que muitos anúncios encontrados nas plataformas são destinados apenas à locação de curta temporada, o que reduz ainda mais a oferta para contratos de longo prazo.
Para o vice-presidente do Secovi Rio, Leonardo Schneider, a redução da oferta ajuda a explicar a valorização dos aluguéis nos últimos anos. Segundo ele, menos imóveis disponíveis significam maior disputa pelos contratos, pressionando os preços para novos inquilinos. Já nos contratos em vigor, os reajustes seguem os índices previstos em contrato.
Turismo impulsiona locações de curta temporada
O recorde de visitantes registrado pelo Rio em 2025 também contribuiu para esse movimento. Segundo a Prefeitura, a cidade recebeu 10,5 milhões de turistas brasileiros e 2,1 milhões de estrangeiros.
Na avaliação do presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ), Leonardo Mesquita, o aumento do fluxo turístico, aliado à retomada do movimento no Aeroporto Internacional do Galeão, incentivou proprietários a migrarem imóveis para plataformas de aluguel de curta temporada.
"A locação por curta temporada acaba retirando imóveis do mercado tradicional. Com baixa oferta, normalmente há aumento dos valores dos aluguéis", explica o presidente da Ademi-RJ, Leonardo Mesquita.
Esse fenômeno é mais evidente na Zona Sul, onde a demanda turística é maior. Com menos imóveis disponíveis para contratos tradicionais, os preços acabam subindo.
Leblon lidera ranking dos aluguéis mais caros
Os dados do Data Secovi mostram que o Leblon continua sendo o bairro com o metro quadrado de aluguel mais caro da cidade: R$ 129,10. Em seguida aparecem Ipanema (R$ 124,97) e Lagoa (R$ 89,64).
Entre os dez bairros com maior valor de aluguel, oito ficam na Zona Sul. Barra da Tijuca e Centro completam o ranking.
Mas a pressão não está restrita à região. Corretores e representantes do mercado afirmam que bairros da Zona Norte e da Zona Oeste, como Tijuca, Méier, Vila Isabel, Taquara e Santa Cruz, também registram forte valorização.
Quando a comparação é feita pelo percentual de aumento dos aluguéis nos últimos 12 meses, o Centro lidera, com valorização de 34,9%.
Na sequência aparecem Jardim Botânico (31,7%), Lagoa (26,1%), Botafogo (21,9%) e Vila Isabel (18,5%). Entre os dez bairros com maior alta, há seis bairros da Zona Sul, além de Barra da Tijuca, Taquara, Centro e Vila Isabel.
Juros altos adiam compra da casa própria
Especialistas apontam que a taxa básica de juros também exerce forte influência sobre o mercado.
Com financiamentos mais caros, muitas famílias desistem da compra do imóvel e permanecem no mercado de aluguel. O aumento da demanda, sem crescimento equivalente da oferta, acaba pressionando ainda mais os preços.
Segundo o presidente do Creci-RJ, Wilson Martins, o impacto da Selic vai além da Zona Sul e ajuda a explicar a valorização observada em diversas regiões da cidade. Para ele, "morar não é possível adiar", e quem não consegue comprar acaba recorrendo à locação.
Enquanto os aluguéis registram fortes altas, os preços de venda dos imóveis prontos cresceram em ritmo bem mais lento.
Nos últimos 12 meses, apenas cinco bairros tiveram valorização acima da inflação medida pelo IPCA: Centro, Laranjeiras, Copacabana, Flamengo e Leblon.
Mesmo assim, os imóveis continuam caros nas áreas mais valorizadas da cidade. O Leblon lidera o ranking nacional, com metro quadrado médio de R$ 26.017, seguido por Ipanema (R$ 24.596).
Aluguel sobe mais de três vezes o ritmo da venda
Levantamento do índice FipeZAP mostra que, no acumulado dos últimos três anos, os aluguéis cresceram 38,09%, enquanto os preços de venda dos imóveis avançaram apenas 11,34%.
Para representantes do mercado, esse descompasso reflete justamente a combinação entre juros elevados, menor acesso ao crédito imobiliário e redução da oferta de imóveis para locação.
A flexibilidade para mudar de cidade ou bairro, o interesse em morar em regiões onde a compra é inviável financeiramente, o aumento da expectativa de vida e a preferência por investimentos financeiros em vez da aquisição de imóveis têm levado mais pessoas a permanecer no mercado de aluguel.
Para o mercado imobiliário, a tendência é que a pressão sobre os preços continue enquanto a oferta de imóveis para locação tradicional permanecer reduzida e os juros seguirem elevados.
AI outlook — possibilities, not facts
A pressão sobre os preços dos aluguéis no Rio de Janeiro continuará.
Very likely · Within months

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