Dólar fecha em alta com payroll forte dos EUA e cenário eleitoral no Brasil em foco
Quick Look
- O dólar fechou em alta de 0,49% a R$ 5,128, impulsionado por dados de payroll dos EUA acima do esperado e pelo cenário eleitoral brasileiro, com pesquisas mostrando empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro.
- O Ibovespa teve baixa de 0,02%, mas acumulou alta semanal de 5,4%.
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Why It Matters
O artigo descreve a movimentação do dólar e da bolsa brasileira em um contexto de dados fortes de payroll nos EUA, que reduzem expectativas de cortes de juros pelo Fed, e de um cenário eleitoral brasileiro em aberto, com pesquisas mostrando empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro.
O dólar fechou em alta de 0,49%, a R$ 5,128 nesta sexta-feira (4), com investidores repercutindo dados do mercado de trabalho dos EUA, conhecidos como payroll, mais fortes do que o esperado, além do cenário eleitoral brasileiro.
Os números dos Estados Unidos apontaram para uma atividade ainda aquecida, reduzindo a expectativa de cortes de juros pelo Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA). A perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos tende a pressionar investimentos em mercados emergentes e valorizar a moeda.
A Bolsa brasileira, impactada pela maior busca por ativos considerados seguros, recuou 0,02%, a 185.147 pontos, próxima da estabilidade. No acumulado da semana, o índice avançou 5,4%, a segunda maior alta do ano.
Apesar do avanço desta sexta-feira, o dólar caiu 1,30% na semana. No ano, a Bolsa acumula alta de 14,9%, enquanto a moeda registra queda de 6,5%.
Durante a semana, os ativos domésticos se beneficiaram do maior otimismo de analistas com a possibilidade de alternância de poder nas eleições presidenciais deste ano. Pesquisas revelaram maior proximidade entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Além disso, o acirramento dos conflitos no Oriente Médio favoreceu o retorno do fluxo de investidores estrangeiros à Bolsa brasileira, com destaque para o setor de commodities, contribuindo para a valorização do real e do Ibovespa.
O foco do pregão desta sexta esteve no exterior. A economia dos EUA abriu 162 mil vagas de trabalho fora do setor agrícola em agosto, informou o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA em seu relatório de emprego, o payroll. A taxa de desemprego se manteve em 4,1%, indicando um mercado de trabalho ainda resiliente.
Economistas consultados pela Reuters esperavam a abertura de 55 mil vagas no mês. As estimativas variavam de um fechamento de 25 mil empregos a um ganho de 121 mil vagas —ou seja, o resultado ficou acima do teto projetado pelos analistas.
"Com o mercado de trabalho mostrando resiliência, diminui a necessidade de o Fed estimular a economia pelo lado do emprego e aumenta o espaço para manter os juros elevados por mais tempo, especialmente enquanto a inflação ainda exige cautela", diz Leonardo Mendes, consultor financeiro da Manchester Investimentos.
O Fed definirá a próxima taxa de juros em reunião marcada para 15 e 16 de setembro. Hoje, os juros dos EUA estão na faixa entre 3,5% e 3,75%.
Na quinta-feira, o diretor do Fed Christopher Waller afirmou que pode defender a manutenção dos juros neste mês caso a inflação americana dê sinais de recuo. O próximo indicador de inflação a ser divulgado é o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) de agosto, em 11 de setembro.
O Fed prefere o Índice de Preços para Despesas com Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês) como medida de inflação, mas o indicador só será divulgado em 30 de setembro.
A sinalização de Waller contrasta com a do presidente do Fed, Kevin Warsh, que afirmou na última semana, em Jackson Hole, que o banco central terá trabalho a fazer caso a inflação americana não retorne à meta de 2%.
Uma postura mais restritiva do Fed tende a impulsionar o dólar e os Treasuries, títulos do Tesouro americano, e pressionar ativos de mercados emergentes —caso de real e Bolsa.
"Para o Brasil, o principal canal é o diferencial de juros. Taxas americanas mais altas mantêm os ativos em dólar mais atrativos e reduzem a vantagem dos juros brasileiros", diz Leonardo Mendes.
Durante o pregão, o cenário eleitoral também esteve no radar.
A pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (3) à noite mostrou o presidente Lula (PT) com 38% das intenções de voto no primeiro turno, ante 33% de Flávio Bolsonaro (PL). No segundo turno, o presidente supera numericamente o filho do antecessor Jair Bolsonaro por 46% a 44%, um empate técnico pela margem de erro do levantamento, de dois pontos para mais ou menos.
No levantamento anterior, há duas semanas, o petista tinha 39% e o senador do PL 33% na simulação de primeiro turno. No cenário de segundo turno há duas semanas, Lula tinha 47%, ante 43% de Flávio.
O resultado se somou a outras pesquisas que apontaram um estreitamento da diferença entre os líderes da disputa.
"Investidores têm reagido positivamente à percepção de que Flávio Bolsonaro estaria recuperando competitividade e ampliando suas chances na disputa eleitoral. Esse movimento tem favorecido o desempenho da moeda brasileira e exercido pressão baixista sobre a taxa de câmbio", diz Leonel Oliveira Matos, analista de inteligência de mercados da StoneX.
Analistas avaliam que Flávio Bolsonaro tem um perfil mais alinhado à disciplina fiscal do que o atual presidente.
Na última semana, em entrevista ao Jornal Nacional, o candidato do PL afirmou que, se eleito, fará um ajuste na dívida pública sem mexer na Previdência Social ou na política de valorização do salário mínimo. No mesmo programa, Lula afirmou não estar preocupado com a dívida pública brasileira, mas disse que a responsabilidade fiscal "baliza" sua vida.
Houve também impacto da crise do STF (Supremo Tribunal Federal). Mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, foram divulgadas na última terça-feira (1º) e indicaram a atuação do ministro Alexandre de Moraes a favor do ex-banqueiro.
A retirada do sigilo da investigação, por decisão do ministro André Mendonça, aponta que, dias antes de ser preso pela PF, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o país.
Na quinta-feira, Moraes pediu que Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução dos casos envolvendo o Banco Master e o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
"Embora esse episódio não tenha relação direta com o Executivo, a interpretação predominante no mercado é de que o desgaste do STF pode ser mais favorável à campanha de Flávio Bolsonaro do que à de Lula, uma vez que Flávio tem sido historicamente bastante crítico ao Supremo", diz Leonel.
What to Watch
AI outlook — possibilities, not facts
O Fed manterá os juros elevados na reunião de 15 e 16 de setembro devido à resiliência do mercado de trabalho americano.
Likely · Within weeks
O real brasileiro permanecerá sob pressão de valorização do dólar no curto prazo.
Likely · Within weeks
Open Questions
- Como o Fed reagirá aos próximos indicadores de inflação, especialmente o CPI de agosto e o PCE de setembro?
- Qual será o impacto das investigações no STF sobre a campanha eleitoral de Lula e Flávio Bolsonaro?
- Se eleito, Flávio Bolsonaro conseguirá implementar seu ajuste na dívida pública sem alterar a Previdência ou o salário mínimo?





