Fila por transplantes em São Paulo ultrapassa 29 mil pessoas, com aumento de 11% em relação ao ano anterior
Quick Look
- A fila por transplantes no estado de São Paulo ultrapassa 29 mil pessoas, com aumento de 11% em relação ao ano anterior.
- Pacientes como Fernando Silva, de Americana, aguardam há nove anos por um rim, enquanto Julio Cesar, de Campinas, voltou à lista após perder o órgão transplantado devido à Covid-19.
- A falta de doadores e a necessidade de autorização familiar são citadas como principais obstáculos, com potencial de aumento de até 35% nas doações por meio de conscientização.
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Why It Matters
A fila por transplantes em São Paulo vem crescendo devido à desigualdade entre demanda e oferta de órgãos, agravada por fatores como doenças crônicas (como diabetes), complicações pós-transplante e a exigência legal de autorização familiar para doação, que muitas vezes não é concedida.
Casos como o de Fernando Silva, de Americana, ajudam a explicar o aumento da fila por transplantes no estado de São Paulo, que ultrapassa 29 mil pessoas.
Por EPTV 2
O vendedor Fernando Silva, de Americana, aguarda há 9 anos por um transplante de rim. Ele está entre os mais de 29 mil pacientes na fila em São Paulo.
Silva perdeu as funções renais devido ao diabetes na infância. Ele aguardou 5 anos por transplante duplo, mas exames constataram que ele não poderia realizar a cirurgia.
A fila paulista cresceu 11% em relação ao ano anterior. O vigilante Julio Cesar, de Campinas, voltou à lista após perder o rim transplantado devido à Covid-19.
O coordenador Francisco Monteiro explica que a falta de órgãos gera mortes na fila. A conscientização familiar pode elevar em até 35% o número de doadores autorizados.
A rotina do vendedor Fernando Silva, de Americana (SP), é marcada por sessões de hemodiálise que duram até quatro horas, pelo menos três vezes na semana. Há nove anos na fila por um transplante de órgãos, ele ilustra o drama de mais de 29 mil pacientes que aguardam por uma cirurgia no estado de São Paulo.
O vendedor perdeu a função dos rins devido a um quadro de diabetes descoberto ainda na infância. Na tentativa de solucionar os dois problemas de saúde de uma só vez, ele chegou a aguardar cinco anos por um transplante duplo.
"Quando eu fui chamado para fazer esse transplante [pâncreas e rim], chegando lá nos últimos exames, foi constatado que eu não podia fazer. Então eu saí dessa fila e entrei para a fila só do rim", relembra o paciente.
Enquanto o chamado para a cirurgia não chega, o vendedor tenta se sustentar trabalhando em casa nos intervalos do tratamento, já que a filtragem do sangue por meio de agulhas o deixa fisicamente debilitado.
"Debilita bastante e é difícil eu conseguir sair", relata.
O vendedor Fernando Silva, de Americana (SP), espera na fila de transplante há nove anos — Foto: Reprodução/EPTV
Atualmente, a lista por um transplante em São Paulo contabiliza um aumento de 11% no número de pessoas em relação ao ano anterior.
O vigilante Julio Cesar, de 46 anos, de Campinas, voltou a compor a estatística em 2022, após já ter vivenciado a experiência de receber um novo rim no passado.
"Na pandemia eu acabei pegando Covid, fiquei mal, fiquei 36 dias na UTI e acabei perdendo o rim novamente", lamenta Julio.
Ele relata a dificuldade de voltar às severas restrições médicas.
"A gente fica ansioso. Como é viver podendo beber água, ingerir líquidos normal e, de repente, ter que cessar tudo isso", desabafa.
Mortalidade na fila
No estado de São Paulo, a fila de espera apresenta taxas de óbitos que variam de acordo com o órgão necessitado:
Fígado: 33%;
Coração: quase 25%;
Pulmão: 13%;
Rim: 7%.
O coordenador do Sistema Estadual de Transplantes, Francisco Monteiro, explica que não há órgãos suficientes para atender à demanda.
"A mortalidade em lista varia muito. De acordo com a gravidade do paciente, o tempo de espera por um transplante. Como eu não tenho órgão para todo mundo na mesma velocidade, ele também pode evoluir ao óbito", ressalta.
Recusa familiar
Manter a vida de quem está na fila exige procedimentos complexos. Em muitos casos, sobretudo para pacientes cardíacos ou hepáticos, há a necessidade de internações prolongadas e do uso contínuo de medicamentos invasivos.
Para reverter o cenário de espera e aumentar as chances de sobrevida, os profissionais de saúde esbarram em um obstáculo.
A legislação brasileira determina que a doação só ocorre mediante autorização expressa da família, o que torna a conscientização dos parentes a principal solução para alavancar os procedimentos.
"Com isso [a conscientização] eu ganharia 30% a 35% de mais doadores que hoje são descartados porque a família não autoriza", conclui Monteiro.
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What to Watch
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A conscientização familiar pode aumentar o número de doadores autorizados em até 35%, segundo o coordenador Francisco Monteiro.
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Open Questions
- Quais são as medidas específicas sendo tomadas para reduzir o tempo de espera na fila?
- Como o sistema de saúde estadual está lidando com o aumento de 11% na fila?
- Quais campanhas de conscientização familiar estão em curso e qual é seu alcance?






