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O ato ocorreu no contexto da campanha eleitoral de 2026, com Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência pelo PL, enfrentando Lula (PT) como principal adversário. O evento foi marcado por críticas ao ministro do STF Alexandre de Moraes, ligado por bolsonaristas a supostas interferências nas eleições e ao caso Master, envolvendo supostos pedidos de dinheiro por Flávio a Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro, atualmente sob investigação da Polícia Federal.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, promoveu ato político de 7 de Setembro na avenida Paulista nesta segunda (7) e fez uma série de críticas ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, associando o magistrado ao presidente Lula (PT), seu principal adversário na eleição.
Em discurso, Flávio disse que "quem vota em Lula tá votando em Alexandre de Moraes" e que o magistrado "vai cair".
O presidenciável do PL disse que há um "consórcio" de Lula com o ministro e que vai trabalhar para "resgatar a credibilidade" do Supremo, caso seja eleito.
Bolsonaristas tentaram impulsionar o ato na última semana tendo como combustível as mensagens reveladas entre o ministro do Supremo e Daniel Vorcaro, do Banco Master.
O próprio Flávio, porém, enfrenta desgastes na campanha por causa do caso Master. Em maio, foi revelado que ele pediu dinheiro a Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", sobre seu pai, Jair Bolsonaro. O episódio está sob investigação da Polícia Federal. O senador nega irregularidades e não apresentou documentos que comprovem o destino dos valores, diferentemente do que afirmou que faria há quatro meses.
No discurso desta segunda, Flávio não citou diretamente o Master nem Vorcaro. Afirmou que é preciso "proteger o STF de Moraes" e que o país vive "caos moral". "O Supremo não é Alexandre de Moraes".
Sem dar detalhes, também disse que "vão tentar mais uma vez interferir nas eleições", sem especificar a quem se refere, e comparou essa situação com a facada sofrida pelo pai durante a campanha de 2018. Ainda chamou o 8 de Janeiro de "essa farsa".
Ele também citou as suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente conhecido como Lulinha, e citou a mudança dele para a Espanha. "Quem tá bancando o Lulinha?"
Flávio chegou ao local por volta das 15h. Entre os aliados presentes, estavam os deputados do PL Marco Feliciano e Sóstenes Cavalcante, o ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo), o senador Sergio Moro (PL) e o pastor Silas Malafaia.
Apoiadores trouxeram bandeiras dos Estados Unidos e de Israel, além de fotos de condenados do 8 de Janeiro, chamados de presos políticos. Houve ainda um boneco inflável do presidente americano, Donald Trump, segurando Lula com roupa de presidiário. Embaixo, lia-se os dizeres, em inglês: "Trump, liberte o Brasil" —em janeiro, o governo americano capturou o ditador venezuelano Nicolás Maduro.
O protesto virou plataforma de campanha para uma série de candidatos a deputado. Republicanos, PL e PP distribuíam santinhos e empunham bandeiras.
Mais cedo, antes do início do comício, um grupo de manifestantes de esquerda entrou em confronto com outro grupo que chegava para o ato da direita na esquina das alamedas Peixoto Gomide e Alameda Santos. "A PM e a GCM [Guarda Civil Metropolitana] intervieram para conter as partes", informou a corporação em nota.
Imagens que circulam nas redes sociais mostram o disparo de bombas de gás lacrimogêneo.
Antes do ato, bolsonaristas se mobilizaram em defesa do ministro do Supremo André Mendonça, que é relator do caso Master e que na terça-feira (1º) retirou o sigilo do relatório da PF que mostrava diálogos entre Moraes e o ex-banqueiro. Em despacho no inquérito das fake news, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
Mendonça, que é evangélico, gravou um vídeo agradecendo as orações dos apoiadores. Cartazes dos presentes manifestavam apoio ao magistrado.
O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) discursou e pediu aplausos dos presentes para o ministro do Supremo.
Um dos que discursaram foi o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que é candidato à reeleição. O governador disse que o Supremo precisa se unir para apurar o caso. "Uma resposta institucional é necessária".
Candidato a vice-presidente, Alfredo Gaspar criticou Alexandre de Moraes e disse que "não existe Lula sem Alexandre". Puxou coro de "fora Lula e fora Moraes".
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que tem sido cabo eleitoral de Flávio na capital paulista, afirmou que "Supremo é o povo brasileiro" e pediu votos aos senadores da direita.
Também em um discurso breve, Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal na gestão Jair Bolsonaro, disse que Lula prometeu picanha e entregou pizza parcelada. "Vamos acabar com essa gastança", disse.
Presidente do PL, Valdemar Costa Neto afirmou, em seu discurso no trio, que "Bolsonaro vai ficar preso mais dez anos se Flávio não for eleito", puxando um coro de "volta, Bolsonaro".
Silas Malafaia fez uma fala dura contra Alexandre de Moraes, a quem chamou de "ditador" seguidas vezes. Segundo Malafaia, os indícios de que o minsitro do Supremo revisou o contrato de Daniel Vorcaro com o escritório de advocacia da mulher do ministro são "a prova da compra do poder e da influência desse ditador".
Malafaia afirmou que o objetivo com seu discurso não era pregar vingança nem descredibilizar o Supremo, e pediu que o ministro Edson Fachin, presidente do Supremo, afaste Moraes.
"Precisamos de instituições fortes. Desgraçar o Supremo é arrebentar com a democracia e a República", disse.
Ao começar a discursar no trio, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) gritou "fora, Moraes" e afirmou que no próximo ano Flávio Bolsonaro vai indicar quatro ministros do Supremo.
O deputado mencionou o áudio revelado de uma conversa sua com Vorcaro, afirmando que nunca fez contrato com o ex-banqueiro e que Vorcaro nunca pediu que ele interferisse na atuação da PF e da PGR.
"Se não, não me chamaria Nikolas Ferreira, me chamaria Alexandre de Moraes. E seu lugar, Xandão, é na cadeia."
Nikolas criticou ainda o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o diretor da PF, Andrei Rodrigues, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Levantamento realizado pelo Monitor do Debate Político do Cebrap e a ONG More in Common calculou que o público na Paulista nesta segunda foi de 28 mil pessoas. A medição foi feita às 16h32, momento de pico da manifestação, por meio de fotos tiradas por drones e sistemas de inteligência artificial.
No mais recente Datafolha, divulgado na quinta-feira (3), Lula (PT) aparece 38% das intenções de voto no primeiro turno, ante 33% de Flávio. O levantamento também confirmou a ascensão de Augusto Cury (Avante), que subiu seis pontos e atingiu 8%.
AI outlook — possibilities, not facts
Flávio Bolsonaro indicará quatro ministros do Supremo Tribunal Federal se eleito presidente em 2026.
Possible · Within years
O inquérito da Polícia Federal sobre o caso Master avançará com novos depoimentos ou medidas coercitivas contra Flávio Bolsonaro.
Possible · Within months

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