
Negociações sobre a presidência do Senado e futuras indicações ao Supremo marcam a relação entre o Judiciário e um eventual governo
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A relação entre o bolsonarismo e o STF tem sido marcada por pedidos de impeachment de ministros. A eleição para a presidência do Senado é o próximo passo crítico para a governabilidade.
Nas conversas, o recado transmitido é que não há interesse em promover um confronto institucional, apesar de uma das principais bandeiras do bolsonarismo e dos senadores eleitos pelo PL ser justamente o impeachment de ministros do Supremo.
Esses interlocutores têm dito que não querem briga nem confusão com o Judiciário. Ao mesmo tempo, reconhecem que será necessário avaliar a nova composição do Senado, onde a pressão pelo impeachment de ministros deve ganhar força.
Essa tentativa de aproximação também interessa a diferentes grupos dentro do Supremo, começando pelo próprio ministro Alexandre de Moraes. A avaliação nos bastidores é que existem pautas de interesse comum entre setores da Corte e um eventual governo Flávio Bolsonaro, que poderiam abrir espaço para uma negociação mais ampla.
O Supremo também está fazendo suas próprias contas. Ministros avaliam que nem todos os senadores eleitos com o discurso de enfrentamento ao STF terão disposição para sustentar essa posição depois da posse. Há parlamentares que respondem a investigações ou podem se tornar alvo de denúncias criminais — os eleitos para 2027, inclusive.
Nas palavras de um integrante do Judiciário, a expectativa é que haja muito "tigrão virando tchutchuca" quando esses parlamentares assumirem seus mandatos. É um fator considerado nos cálculos políticos de integrantes do Supremo, que não enxergam a futura bancada bolsonarista como um bloco necessariamente homogêneo.
Outro recado transmitido aos interlocutores de Flávio Bolsonaro é que um eventual governo que concentre suas energias no confronto com o Supremo corre o risco de produzir um efeito paralisante sobre a própria administração. A avaliação é que uma guerra institucional pode comprometer a capacidade de governar e avançar com outras agendas.
Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, é um dos principais defensores do enfrentamento ao Supremo e tem trabalhado para assumir o comando da Casa. Mas já existe uma articulação dentro do próprio PL para impedir sua eleição. Integrantes do partido avaliam que Marinho se fortaleceu demais politicamente e, na expressão usada por alguns interlocutores, “subiu no salto”.
Ao mesmo tempo, setores do Centrão trabalham pela permanência de Davi Alcolumbre na presidência do Senado. Alcolumbre tem uma relação próxima com Alexandre de Moraes e mantém canais importantes de interlocução com o STF.
A possibilidade de apoio a Alcolumbre também já vem sendo discutida com pessoas muito próximas de Flávio Bolsonaro. A escolha do próximo presidente do Senado será decisiva para definir o destino dos pedidos de impeachment contra ministros do Supremo. Por isso, a disputa pela presidência da Casa se tornou parte central das negociações sobre a relação entre um eventual governo Flávio Bolsonaro e o Judiciário.
Há ainda uma terceira questão considerada estratégica nessas articulações: a próxima indicação para o STF. Nos bastidores, setores políticos discutem a possibilidade de que, em caso de derrota de Lula, o presidente faça uma indicação ainda no fim do ano, antes de deixar o cargo.
Um dos nomes considerados nesse cenário é o de Rodrigo Pacheco, aliado de Davi Alcolumbre e próximo de ministros como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. A avaliação desse grupo é que uma indicação de Pacheco, seguida de aprovação pelo Senado ainda neste ano, poderia alterar o equilíbrio interno do Supremo antes mesmo da posse de um eventual governo Flávio Bolsonaro.
Pacheco é visto como um nome alinhado ao grupo de Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Com sua eventual chegada, esse grupo passaria a contar, nos cálculos políticos feitos nos bastidores, com cinco ministros próximos entre si. Essa composição teria peso nas futuras disputas internas do tribunal, especialmente em um cenário de aumento das tensões entre o Judiciário, o Congresso e um novo governo. O que está em jogo, portanto, vai muito além da relação pessoal de Flávio Bolsonaro com os ministros do Supremo.
AI outlook — possibilities, not facts
Disputa pela presidência do Senado definirá pautas de impeachment.
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