Túnel do Anhangabaú tem previsão de 8 bombas para drenagem, mas Prefeitura de SP diz que apenas 6 funcionaram em alagamento
Ministério Público cobra explicações sobre plano de contingência e funcionamento de bombas de drenagem durante chuva forte
Quick Look
- O Ministério Público de São Paulo deu 48 horas à prefeitura para explicar as medidas adotadas durante o alagamento no Túnel do Anhangabaú, que deixou motoristas ilhados.
- A administração municipal afirmou que seis das oito bombas previstas funcionaram, mas a vazão foi insuficiente.
- O prefeito Ricardo Nunes negou que o túnel tenha sido fechado e reaberto, enquanto motoristas relatam prejuízos e danos aos veículos.
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Why It Matters
O Túnel do Anhangabaú, localizado no Centro de São Paulo, passou por uma reforma de R$ 6 meses atrás, focada na recuperação interna da estrutura e não na melhoria do sistema de drenagem. O túnel fica sobre o ribeirão Anhangabaú, o que aumenta sua vulnerabilidade a alagamentos durante chuvas fortes.
Plano de prevenção de chuvas prevê monitoramento 24 horas por dia; Ministério Público deu 48 horas para a prefeitura explicar medidas adotadas durante o temporal que deixou motoristas ilhados.
Por Philipe Guedes, TV Globo e g1 SP — São Paulo
Documentos da Prefeitura de São Paulo preveem oito bombas no sistema de drenagem do Túnel do Anhangabaú, no Centro da capital paulista, mas a administração municipal afirmou que apenas seis equipamentos fixos funcionaram durante o alagamento da tarde de quarta-feira (14).
A prefeitura disse que as seis bombas operaram ininterruptamente, sem registro de problemas nos equipamentos, mas que a vazão não foi suficiente para escoar o volume de água registrado. Segundo o contrato de manutenção firmado com a empresa HHTEC, o túnel conta com oito bombas previstas para o sistema de drenagem.
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Com duas bombas a menos em funcionamento, 260 litros de água deixaram de ser bombeados por segundo. A situação levantou questionamentos sobre a capacidade de drenagem do túnel e sobre a atuação dos órgãos responsáveis pelo fechamento da via, já que a chuva forte estava prevista nos boletins do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), da própria prefeitura.
O Ministério Público de São Paulo cobrou da administração municipal a apresentação de planos de intervenção que identifiquem áreas críticas da cidade, descrevam as obras necessárias e apresentem estimativas de custos. A prefeitura terá 48 horas para explicar as medidas adotadas para acionar o plano de contingência durante a chuva e informar os horários em que foram decretados os estados de atenção e de alerta.
Carros amontoados após inundação no túnel do Anhangabaú, em SP — Foto: Reprodução/TV Globo
Chuva estava prevista
Os boletins do Centro de Gerenciamento de Emergências já alertavam, ao longo do dia, para pancadas de chuva de moderada a forte intensidade, com potencial para provocar alagamentos na capital paulista.
Às 15h35, a previsão se concretizou. A chuva provocou alagamentos em vários pontos da cidade, e a água subiu rapidamente no Túnel do Anhangabaú. Dezenas de carros ficaram submersos, com a água chegando à altura das janelas. Alguns veículos boiaram, e motoristas precisaram subir nos carros e nas muretas para escapar da inundação.
O Plano de Prevenção a Chuvas prevê que as câmeras instaladas no túnel permitem o monitoramento do local 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana.
A atuação da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) também passou a ser questionada. A Secretaria de Comunicação da Prefeitura informou que as interdições no túnel começaram às 15h48, quando havia uma pequena lâmina de água no piso.
O prefeito Ricardo Nunes (MDB), porém, negou que o túnel tenha sido fechado e depois reaberto.
“Quando iniciou, às 16h07, estava cheio de carro dentro do túnel do Anhangabaú. Foi feito todas as ações de protocolo, mas no horário e no volume de água, ao mesmo tempo, que infelizmente a gente não conseguiu se antecipar e fazer o bloqueio dos veículos para dentro do túnel, porque os carros já estavam lá quando o volume de água caiu ali naquela região”, afirmou.
Em seguida, o prefeito disse que uma pista foi fechada às 15h48, por decisão da CET. Ao ser questionado sobre a possibilidade de o túnel ter sido fechado e depois reaberto, Ricardo Nunes negou a informação.
“Aí, reabriu as pistas e aí o túnel cheio de gente. Não fechou às 15h42? Se a CET te deu essa informação, ela te informou errado”, declarou a um jornalista durante coletiva.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, durante entrevista coletiva sobre o alagamento no túnel do Anhangabaú — Foto: Reprodução/TV Globo
Motoristas relatam prejuízos
Um dos motoristas atingidos pelo alagamento, Fábio, gravou um vídeo durante a inundação. Ele relatou que a entrada do túnel não estava bloqueada quando entrou e que a interrupção do trânsito ocorreu alguns minutos depois, quando já estava no meio da passagem subterrânea.
“A entrada do túnel não teve nenhum tipo de obstrução por parte da CT, pelo menos quando nós entramos. Eles fizeram essa parada alguns minutos depois que eu já estava no meio do túnel. Então, aquelas pessoas que estavam dentro, elas ficaram basicamente como eu estava no meio do túnel.”
“Então, eu fiquei ali preso, com carros na frente e carros atrás. Então, a gente não conseguia ir para nenhum lado”, contou.
Outro motorista afirmou que o veículo ficou inutilizado depois de ser atingido pela água. Segundo ele, o farol e o limpador de para-brisa continuaram ligados, mas o carro só pôde ser retirado com o guincho da seguradora.
“Todos os carros foram tomados pela enchente, nenhum mais funcionava. A única coisa como ficou, ele ficou ligado, o farol, o limpador de para-brisa ficou ligado, mas dali ele só saiu com o guincho da seguradora mesmo. Não teve mais o que fazer.”
“Foi perda total. E quem é que vai pagar esse prejuízo?”, questionou.
Túnel passou por reforma de R$ 6 milhões
Na quarta-feira (15), um dia depois do alagamento, já não havia sinais da inundação nas pistas do túnel. O local, porém, apresentava infiltrações: água escorria pelas paredes e pingava de diferentes pontos do teto.
Também havia um trecho do teto com parte da estrutura caída, segundo o relato exibido na reportagem.
Nos últimos meses, o túnel do Anhangabaú passou por uma reforma de R$ 6 milhões. A obra, no entanto, não tinha como objetivo melhorar a drenagem, mas recuperar a parte interna da passagem subterrânea.
O túnel fica sobre o ribeirão Anhangabaú, que passa por baixo da estrutura. A água da chuva na região se acumula no curso d'água, o que ajuda a explicar por que o local está sujeito a alagamentos.
Ministério Público cobra explicações
O Ministério Público de São Paulo cobrou da Prefeitura informações sobre as medidas adotadas durante o temporal e os procedimentos previstos para áreas consideradas críticas.
A administração municipal terá 48 horas para explicar como colocou em prática o plano de contingência para a chuva de terça-feira (14), além de informar os horários em que foram acionados os estados de atenção e de alerta.
A Prefeitura também deverá apresentar planos de intervenção com a identificação das áreas críticas da cidade, a descrição das obras previstas e a estimativa dos custos.
What to Watch
AI outlook — possibilities, not facts
A prefeitura apresentará, dentro de 48 horas, os planos de intervenção para áreas críticas da cidade, incluindo o Túnel do Anhangabaú.
Very likely · Within days
Novas vistorias serão realizadas no sistema de drenagem do Túnel do Anhangabaú para verificar o funcionamento das bombas e a necessidade de manutenção ou atualização.
Likely · Within weeks
Open Questions
- Por que apenas seis das oito bombas previstas estavam funcionando durante o alagamento?
- Qual foi o critério usado pela CET para determinar os horários de interdição do túnel?
- Quem será responsável pelos prejuízos materiais sofridos pelos motoristas afetados?
- O plano de contingência da prefeitura foi adequadamente comunicado e executado durante o evento?







