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BackO primeiro gol de Pelé: a história do início da trajetória do Rei no Santos
O primeiro gol de Pelé: a história do início da trajetória do Rei no Santos
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G11 hour agoSports6 min readBrazil

O primeiro gol de Pelé: a história do início da trajetória do Rei no Santos

Em 7 de setembro de 1956, aos 15 anos, Pelé marcou seu primeiro gol pelo Santos em um amistoso contra o Corinthians de Santo André.

Quick Look

  • Em 7 de setembro de 1956, o jovem Pelé, então com 15 anos, marcou seu primeiro gol pelo Santos em amistoso contra o Corinthians de Santo André.
  • O feito, inicialmente pouco notado, marcou o início da carreira do maior ídolo do futebol mundial.

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Why It Matters

Pelé chegou ao Santos em 1956, indicado por Waldemar de Brito. O primeiro gol ocorreu em um amistoso comemorativo do Dia da Independência.

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Em 7 de setembro de 1956, Dia da Independência do Brasil, um garoto de 15 anos entrava em campo pela primeira vez com a camisa do Santos. No Estádio Américo Guazzelli, em Santo André (SP), Pelé substituiu Del Vecchio no segundo tempo e marcou o sexto gol da vitória por 7 a 1 sobre o Corinthians local. Ali começava uma trajetória que mudaria para sempre o futebol mundial.

Pelé havia chegado ao Santos em julho daquele ano, vindo de Bauru e indicado pelo ex-jogador Waldemar de Brito. Aos 15 anos e 10 meses, já treinava entre os profissionais e chamava a atenção nos bastidores da Vila Belmiro, mas ainda não tinha a mesma projeção fora do clube.

“O Pelé ainda era um desconhecido para o time adversário. Embora ele já estivesse treinando entre os titulares do Santos, essa expectativa pela jovem promessa ficava restrita aos bastidores da Vila Belmiro”, relata o historiador do Santos Futebol Clube Gabriel Davi Pierin.

Na ocasião, o Santos enfrentava o Corinthians de Santo André em um amistoso organizado pela prefeitura da cidade do ABC Paulista. A partida era comemorativa, em alusão ao Dia da Independência do Brasil, rendendo ao vencedor o Troféu Independência, considerado o primeiro título de Pelé pelo Peixe.

Entre os companheiros, a velocidade e o bom arranque renderam ao jovem Edson Arantes do Nascimento o apelido de Gasolina, ainda que Pelé já fosse o nome pelo qual era conhecido desde os tempos de Bauru.

Foi justamente a pouca projeção do garoto naquele momento que fez o primeiro gol pelo Santos passar quase despercebido nos registros da partida. O mesário Nelson Cerchiari, que tinha 32 anos na época e morreu em 2024, aos 97, foi responsável pelas anotações dos acontecimentos em campo, mas registrou o sexto gol em nome de outro jogador.

Já o jornal O Estado de S. Paulo o chamou de “Telé” ao noticiar a partida no dia seguinte. Anos mais tarde, o registro foi corrigido, e o gol passou a ser oficialmente reconhecido como o primeiro de Pelé pelo Santos.

Com o passar dos anos, em razão da falta de imagens e registros visuais, o primeiro gol de Pelé ganhou novos contornos, recriações e diferentes versões do mesmo lance.

O Centro de Memória do Santos relata que o lance histórico nasceu de um cruzamento de Tite, atacante da equipe, pelo lado esquerdo. Após o passe, Pelé completou para o gol.

Na ficha do jogo, publicada pelo jornal A Tribuna, o gol foi descrito como uma ação de Raimundinho e Tite, que resultou em um lançamento para Pelé. Segundo o relato, o jovem, de apenas 15 anos, dominou a bola e tocou por baixo do goleiro Zaluar para o fundo das redes.

Já os jogadores do Corinthians de Santo André, em especial o defensor Antônio Schank e o goleiro Zaluar, relatam um gol com características de um verdadeiro golaço. O historiador Gabriel Davi Pierin contou ao g1 como foi a visão dos atletas que estavam dentro de campo no momento do gol.

“O Élvis tinha tirado a bola de cabeça, a bola vai sobrar ali na intermediária, e aí ele (Schank) é o primeiro a dar o combate no Pelé, toma o drible. Depois, Pelé acabou passando também por outros dois defensores até tocar na saída do Zaluar”, contou Gabriel, com base no relato de Schank.

Após o sucesso de Pelé, o goleiro Zaluar, inclusive, passou a se identificar em seu cartão de visitas com a inscrição: “Zaluar – Gol Rei Pelé - 001”.

Mesmo sem ter a mesma projeção junto ao grande público, o jovem Pelé chamava a atenção e gerava expectativa no contexto do Santos. O historiador contou ao g1 como eram os holofotes sobre Pelé na época.

“O Pelé vinha se destacando, treinando entre os profissionais, embora ainda fosse um jovem com 15 anos e 10 meses. Ainda não tinha completado 16, mas ele vinha já se destacando e já tinha chegado à Vila Belmiro com uma expectativa grande, trazido pelo Waldemar de Brito”, explica o historiador.

O Estádio Américo Guazzelli, palco do primeiro gol de Pelé, foi demolido em 1984 pela diretoria do Corinthians de Santo André. Atualmente, a área abriga o parque aquático do clube, um edifício estrutural com vestiários e refeitório, além de dois campos menores.

Da meta onde o Rei balançou a rede pela primeira vez, nenhuma peça foi preservada ao longo das décadas. No local exato em que o lance ocorreu, existe hoje apenas um pequeno portão amarelo, utilizado para acessar um dos campos de grama sintética.

Mesmo com o estádio deixando de existir, o primeiro ato do ídolo foi eternizado em 2024 com uma estátua no Parque Antônio Fláquer, na Vila Alzira. A obra, que tem 2,73 metros de altura com a base, fica próxima ao antigo campo e foi posicionada de forma a apontar exatamente para o lugar onde a trajetória profissional de Pelé teve início.

Menos de um ano depois de entrar em campo em Santo André, o jovem já havia balançado a rede pela Seleção Brasileira e levantado seu primeiro troféu com a Amarelinha.

O impacto imediato virou marca registrada em sua carreira: Pelé fez gol na primeira partida por todas as principais equipes de sua carreira profissional, incluindo seu clube formador, a seleção nacional e seu time no exterior.

Ao longo dos anos, essas estreias e feitos importantes ajudaram a revelar a dimensão que o garoto de Três Corações (MG) alcançaria no futebol.

Primeiro título pelo Santos: 7 de setembro de 1956, contra o Corinthians de Santo André, pelo Troféu Independência;

Primeiro gol pela seleção brasileira: 7 de julho de 1957, contra a Argentina, no Maracanã, pela Copa Roca (derrota por 2 a 1);

Primeiro título pela seleção: 10 de julho de 1957, contra a Argentina, no Pacaembu, pela Copa Roca (vitória por 2 a 0, com um gol do Rei);

Primeiro gol em Copas: 19 de junho de 1958, contra País de Gales, nas quartas de final da Copa da Suécia (vitória por 1 a 0);

Primeiro título mundial: 29 de junho de 1958, contra a Suécia, na final da Copa do Mundo (marcou dois gols na vitória por 5 a 2);

Primeiro gol pelo Cosmos: 15 de junho de 1975, contra o Dallas Tornado, em seu primeiro jogo oficial pelo clube norte-americano (empate em 2 a 2).

Treze anos depois de marcar seu primeiro gol pelo Santos, Pelé chegava a uma das marcas mais emblemáticas da carreira. Após atingir 999 gols contra o Botafogo-PB — partida em que abdicou da chance de marcar o milésimo para atuar como goleiro após a contusão do titular — e passar em branco diante do Bahia, o palco perfeito ficou reservado para o Maracanã.

Em 19 de novembro de 1969, mais de 65 mil espectadores ignoraram o fato de o Santos e o Vasco já estarem desclassificados do torneio nacional e compareceram em peso ao estádio carioca para acompanhar o momento histórico.

O momento tão aguardado ocorreu aos 33 minutos da etapa final, quando Pelé sofreu pênalti e teve a chance de atingir a marca histórica. Na cobrança, bateu de pé direito no canto esquerdo de Andrada, que ainda tocou na bola, mas não conseguiu impedir o gol. O Rei correu para buscar a bola e foi carregado pelos jornalistas, enquanto o estádio celebrava o feito.

Após o gol, Pelé vestiu uma camisa do Vasco com o número 1000 e deu uma volta olímpica pelo gramado. Em meio às comemorações, aproveitou a repercussão mundial do feito para pedir atenção às crianças pobres do Brasil.

Os últimos gols de Pelé pelo clube ocorreram em 22 de setembro de 1974, no empate por 2 a 2 contra o Guarani, no Brinco de Ouro da Princesa. Diante de 18.297 pagantes, o Rei, já em clima de despedida, abriu o placar no primeiro tempo com um golaço de fora da área e ampliou de pênalti na etapa final.

A vitória santista só escapou porque Flamarion e Amílton Rocha garantiram a igualdade para os donos da casa nos 15 minutos finais. O hoje treinador Estevam Soares, um garoto de 18 anos na época, atuava no Guarani e tentou evitar o chute do primeiro gol.

“No que ele bateu na bola, ele gritou gol. Eu pensei: ‘Está louco que vai fazer gol no Tobias dessa distância’. E daí eu olho, a bola tinha entrado. O grito dele e a batida na bola eu tenho até hoje no meu consciente”, revelou em entrevista ao ge em 2022.

Dez dias depois, em 2 de outubro, o Rei faria seu último jogo oficial com a camisa 10 alvinegra. O duelo contra a Ponte Preta, na Vila Belmiro, terminou com o triunfo do Peixe por 2 a 0 e ficou eternizado pelo momento em que Pelé, ao ser substituído, ajoelhou-se no gramado e ergueu os braços em direção ao céu.

Na carreira, o Rei do Futebol marcou 1.283 gols em 1.336 jogos, pelo Santos, pelo New York Cosmos e pela Seleção Brasileira. Apenas pelo clube do litoral paulista, foram 1.091 gols em 1.116 partidas.

Pelé morreu em 29 de dezembro de 2022, aos 82 anos. O Atleta do Século havia sido internado em 29 de novembro do mesmo ano, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. A internação ocorreu em virtude de uma infecção respiratória após ele contrair Covid-19 e para a reavaliação do tratamento de um câncer no cólon.

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This article was originally published by G1.

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