PF investiga transferências de R$ 645,4 mil de Mário Frias para Go Up e questiona lastro financeiro
Quick Look
- A Polícia Federal investigou transferências de R$ 645,4 mil do deputado Mário Frias para a Go Up, destacando que seus rendimentos mensais de R$ 44.008,52 questionam o lastro financeiro para tais operações em menos de 60 dias.
- As movimentações ocorreram durante as gravações de 'Dark Horse' em São Paulo, entre outubro e dezembro de 2025, e envolvem empresas ligadas a um grupo empresarial que inclui o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Gama.
- A PF também identificou pagamentos a fornecedores de produção e doações anteriores de Luiza Tessari Dias à campanha de Frias em 2022.
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Why It Matters
A investigação teve início a partir de irregularidades identificadas na execução de emendas parlamentares destinadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama. Mário Frias destinou R$ 2 milhões ao instituto por meio de duas emendas parlamentares.
A PF chamou atenção para o volume dos repasses feitos por Frias e afirmou que seus rendimentos mensais, de R$ 44.008,52, colocam “em questão o lastro financeiro” para transferências de R$ 645,4 mil em um intervalo inferior a 60 dias.
As movimentações ocorreram no período em que “Dark Horse” era filmado em São Paulo: as gravações foram realizadas entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025.
A NTT Brasil é administrada pelo empresário Heric Dias e, de acordo com a investigação, está ligada a um grupo empresarial que inclui fornecedores contratados pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB). O instituto é presidido por Karina Gama, que também é dona da Go Up.
“Destaca-se, ainda, o envio de R$ 645.400,00 para a Go Up pelo próprio Deputado Federal Mário Frias, cujos rendimentos mensais alcançam a monta de R$ 44.008,52, colocando em questão o lastro financeiro para dar suporte às transferências feitas para a pessoa jurídica de Karina Gama no curto espaço de menos de sessenta dias”, afirmou a PF no relatório.
No período analisado, entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, a Go Up movimentou cerca de R$ 19 milhões: foram R$ 8,9 milhões em créditos e R$ 10 milhões em débitos. As operações constam de comunicação financeira analisada pela PF e foram classificadas como atípicas.
Entre os principais destinatários dos recursos movimentados pela produtora aparecem o Hotel Unique, que recebeu R$ 906,7 mil, e a Foodflix Alimentação, com R$ 653,1 mil. A PF também identificou pagamentos a empresas que atuam na área de produção.
Os investigadores destacaram a natureza dessas despesas — que incluíam hospedagem em hotel de alto padrão, alimentação e serviços de produtoras — e a coincidência temporal entre parte das movimentações financeiras e as gravações de “Dark Horse”.
Segundo os investigadores, a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional, apontados como integrantes do mesmo grupo empresarial, receberam juntos cerca de R$ 700 mil do ICB no âmbito do Termo de Fomento nº 971232. Posteriormente, a NTT Brasil, administrada por Heric Dias, transferiu R$ 750 mil à Go Up.
A investigação também identificou vínculos anteriores entre pessoas ligadas ao grupo de Heric e Mário Frias. Luiza Tessari Dias, mulher do empresário, doou R$ 70 mil à campanha do deputado em 2022, segundo dados do TSE citados pela PF.
A própria PF ressalva, porém, que os elementos disponíveis não permitem afirmar que os R$ 750 mil transferidos pela NTT tenham origem direta nos recursos recebidos do ICB. Para os investigadores, a coincidência entre os valores e a proximidade temporal das operações são circunstâncias relevantes para a análise financeira.
“No que concerne ao presente caso, como já se destacou em tópico próprio, tais fatos se tornam relevantes na medida em que, no mesmo período, a NTT Brasil de Heric Dias enviou R$ 750.000,00 para a Go Up Entertainment, valor quase que exatamente correspondente aos R$ 700.000,00 que a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional, do mesmo grupo empresarial, receberam do ICB no escopo do Termo de Fomento n.º 971232, cujo objeto somente veio a ter tentativas de execução em 2026, portanto, após o período ora tratado”, afirmou a PF.
Mário Frias e outros investigados foram alvo de uma operação da Polícia Federal nesta quinta-feira (10), que apura suspeitas de desvio de recursos públicos destinados por meio de emendas parlamentares. A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou buscas contra mais de 50 investigados.
A apuração teve início a partir de irregularidades identificadas na execução de emendas parlamentares destinadas, entre outras entidades, ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama. Frias destinou R$ 2 milhões ao instituto por meio de duas emendas parlamentares.
Segundo a PF, parte dos recursos foi repassada pelo ICB a empresas contratadas para a execução dos projetos. A investigação identificou vínculos entre alguns desses fornecedores, empresários ligados a eles e pessoas próximas a Frias.
What to Watch
AI outlook — possibilities, not facts
A Polícia Federal continuará as investigações e poderá solicitar quebras de sigilo bancário e fiscais dos envolvidos.
Very likely · Within weeks
O Supremo Tribunal Federal pode ser acionado para definir limites ao uso de emendas parlamentares em contratos com entidades privadas.
Possible · Within months
Open Questions
- Qual foi a origem exata dos R$ 750 mil transferidos pela NTT Brasil para a Go Up?
- As transferências identificadas configuram desvio de recursos públicos ou são operações legítimas?
- Quais foram os critérios utilizados para selecionar os fornecedores contratados pelo ICB?
- Existe alguma relação direta entre as emendas parlamentares de Frias e as produções cinematográficas investigadas?



