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A entrevista ocorreu durante a cobertura do segundo turno das eleições presidenciais de 2026 no Brasil, entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Lula fez declarações sobre o orçamento de 2027 e o déficit herdado do governo anterior, que foram verificadas pela equipe do Fato ou Fake.
Lula dá entrevista ao JN — Foto: Manuella Mello/Globo
O presidente Lula (PT), candidato à reeleição, foi entrevistado nesta quinta-feira (15) pela TV Globo.
Conduzida pela jornalista Renata Lo Prete diretamente dos Estúdios Globo, no Rio, e exibida ao vivo logo após o Jornal Nacional, a conversa fez parte da cobertura do segundo turno das Eleições 2026. Após a exibição, a entrevista ficou disponível na íntegra no Globoplay e no g1.
O candidato Flávio Bolsonaro (PL), que também disputa o segundo turno da eleição presidencial, será entrevistado na sexta-feira (16), também por Renata Lo Prete. A ordem das entrevistas foi definida por sorteio em reunião com representantes das campanhas.
A equipe do Fato ou Fake checou as principais declarações de Lula. Leia:
"É importante lembrar que nós apresentamos um orçamento com superávit primário, 0,1%, é pouco. Mas é importante lembrar que eu peguei com um déficit de 2,8%."
A declaração de Lula sobre o superávit primário de 0,1% é #FATO.
A declaração de Lula sobre déficit de 2,8% é #FAKE.
Veja por que a primeira delas é #FATO:
— Foto: g1
No final de agosto, o governo enviou ao Congresso Nacional uma proposta de orçamento para 2027 prevendo superávit primário efetivo (relevante para efeitos da trajetória da dívida pública) de R$ 18,6 bilhões. O montante representa um resultado positivo de 0,13% do Produto Interno Bruto (PIB).
De acordo com o relatório de Acompanhamento Fiscal de junho da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado Federal, seria necessário um superávit primário anual de 2,1% do PIB somente para estabilizar a dívida pública, ou seja, para que ela pare de crescer.
Veja por que a segunda delas é #FAKE:
— Foto: g1
De acordo com dados disponíveis no boletim do resultado do Tesouro Nacional, na série histórica, Lula não herdou, ao iniciar o seu terceiro mandato, um déficit primário de 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB). Na verdade, em 2022, último ano do governo de Jair Bolsonaro, houve um superávit de 0,5% do PIB (R$ 46,4 bilhões).
Essa conta mostra a diferença entre receitas e despesas, sem incluir gastos com juros, segundo números do Tesouro.
No primeiro ano do atual governo Lula, em 2023, houve déficit de R$ 228,5 bilhões, ou 2,1% do PIB. A atual equipe econômica atribui o tamanho do déficit, em parte, a despesas que não teriam sido pagas no governo Bolsonaro. Uma delas são gastos com precatórios que a administração atual pagou em 2023, no valor de R$ 92,4 bilhões. São recursos referentes a sentenças judiciais definitivas.
Para 2026, o governo estima um déficit primário efetivo de R$ 52 bilhões, ou 0,4% do PIB, segundo dados do mais recente Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias. O número se transforma num superávit de R$ 10,8 bilhões, ou um pouco menos de 0,1% do PIB, considerando abatimentos permitidos para o cumprimento da meta fiscal, como precatórios. A meta fiscal deste ano é de um superávit de 0,25% do PIB, com tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB para mais ou para menos.
Esta checagem está em andamento.
Participaram da checagem: Camila Silva, Danilo Perello, Gustavo Petró, Jorge Fofano, Mel Trench, Rafael Rosas e Roney Domingos.
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A entrevista de Flávio Bolsonaro será checada pelo Fato ou Fake na sexta-feira (16).
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